O Ibovespa iniciou 2026 em movimento de leve de correção, em queda de 0,36%, aos 160.538,69 pontos. O principal fator de pressão nesta primeira sessão do ano foi a decisão da China de impor cotas às importações de carne bovina.
Após subir quase 34% no ano passado, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, foi puxado para baixo nesta sexta-feira (2) pelas ações de frigoríficos listados na B3.
O índice oscilou entre a mínima de 160.059,14 pontos e a máxima de 161.956,56 pontos, após abrir aos 161.124,36 pontos. O volume financeiro somou R$ 24 bilhões, considerado elevado para uma sessão entre o feriado de Ano Novo e o fim de semana.
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Frigoríficos pressionam Ibovespa
O desempenho negativo do dia foi liderado pelas ações da Minerva (BEEF3), que caíram 6,77% — a maior baixa do índice. A empresa tem forte exposição ao mercado chinês, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina.
Segundo o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, a reação do mercado reflete o impacto da decisão chinesa de estabelecer uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a carne brasileira.
Dados do Ministério do Comércio Exterior indicam que o Brasil já havia exportado cerca de 1,5 milhão de toneladas até novembro.
Cruz explica que a pressão sobre os papéis do setor decorre da relevância da China para as exportações brasileiras, embora parte do volume possa ser redirecionada para outros mercados. Ele também destacou que cargas já embarcadas não devem ser afetadas pela medida.
Petrobras e bancos também recuam
Além dos frigoríficos, o pregão foi negativo para ações de grande peso no índice. Petrobras recuou 0,83% nas ações ordinárias e 0,36% nas preferenciais. No setor financeiro, que concentra a maior participação no Ibovespa, os desempenhos foram mistos, com Banco do Brasil ON caindo 1,09% e Bradesco ON subindo 0,26%.
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A Vale (VALE3), principal ação do índice, oscilou ao longo do dia, mas fechou em alta de 0,58%, ajudando a limitar a queda do Ibovespa.
Entre as maiores altas da sessão estiveram Pão de Açúcar (+4,21%), SLC Agrícola (+3,67%) e CVC (+1,85%). Já entre as quedas, além de Minerva, destacaram-se Cyrela (-3,77%), Direcional (-3,47%) e Natura (-3,36%).
Panorama para 2026
Apesar do início de ano mais cauteloso, analistas seguem atentos à mudança no fluxo de capital estrangeiro. Após saídas líquidas em 2024, o mercado passou a observar ingressos ao longo de 2025.
Para o sócio da One Investimentos, Guilherme Falcão, a perspectiva para 2026 permanece associada à expectativa de queda dos juros ao longo de um ano eleitoral, o que tende a favorecer empresas mais sensíveis ao ciclo econômico, após o forte desempenho de ações consideradas defensivas em 2025.
Segundo ele, mesmo com a queda desta sessão, o Ibovespa conseguiu sustentar o patamar dos 160 mil pontos, com o impacto negativo concentrado em setores específicos.
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