A ataque dos Estados Unidos à Venezuela para capturar o presidente Nicolás Maduro chocou o mundo, mas apesar do peso simbólico, seu impacto no mercado financeiro deve ser limitado a curto prazo, segundo relatório da gestora britânica Janus Henderson.
Os analistas afirmam que as dificuldades econômicas e políticas da Venezuela ao longo das últimas duas décadas, somadas às sanções internacionais, fizeram muitas empresas de mercados desenvolvidos abandonar completamente o mercado. Para as poucas que ainda possuem exposição à Venezuela (como Chevron, Repsol e Telefónica), um cenário político mais estável poderia proporcionar algum alívio.
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No curto prazo, os bonds (títulos) venezuelanos podem receber suporte inicial, à medida que os mercados passam a precificar a possibilidade de normalização de políticas econômicas, presumindo que o país evite o caos. Ontem (5), os títulos com vencimento em agosto de 2031 dispararam 25,19%.
Os mercados de petróleo também podem reagir, embora não necessariamente na direção esperada. Embora a incerteza geopolítica impulsione frequentemente os preços para cima, um eventual aumento na oferta venezuelana exerceria pressão de baixa sobre o preço do petróleo bruto — assim que as rotas de navegação se estabilizarem e as vias de suspensão das sanções se tornarem mais claras.
Por que a Venezuela é relevante para o petróleo?
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Mesmo assim, sua produção caiu de cerca de 3 milhões de barris por dia no início dos anos 2000 para menos de um terço desse volume nos últimos anos, devido a sanções econômicas, falta de investimentos e deterioração da infraestrutura.
Segundo o relatório, uma eventual aproximação com países ocidentais poderia facilitar investimentos externos e permitir a recuperação gradual da produção.
Estimativas indicam que o país poderia alcançar uma produção de até 2 milhões de barris por dia em cerca de dois anos, com potencial de crescimento adicional no longo prazo.
Repercussões políticas a longo prazo
Além das considerações imediatas de mercado, a mudança na Venezuela pode acarretar consequências geopolíticas a longo prazo. Uma atuação unilateral dos Estados Unidos pode estabelecer precedentes e influenciar disputas de poder em outras regiões.
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Os analistas da Janus Henderson avaliam que o cenário atual reforça a possibilidade de um mundo dividido em esferas de influência, com os EUA fortalecendo sua presença nas Américas, a China ampliando sua atuação na Ásia e a Europa lidando com a relação com a Rússia.
