A multa por andar sem cinto de segurança vai muito além do prejuízo financeiro; ela sinaliza uma infração grave que coloca vidas em risco iminente. No Brasil, o Código de Trânsito pune essa conduta com rigor, custando R$ 195,23 ao infrator e adicionando 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), independentemente de quem esteja sem o equipamento no veículo.
Quem paga a conta e perde os pontos?
Uma dúvida comum ocorre quando o passageiro é quem deixa de usar o dispositivo. Pela legislação, a responsabilidade legal é inteiramente do condutor. É ele quem deve garantir que todos os ocupantes, inclusive no banco de trás, estejam devidamente protegidos antes de dar a partida.
Se uma blitz flagrar um passageiro sem cinto, a multa vai para o motorista, e os pontos são computados na sua carteira. Além da penalidade monetária, o veículo pode ser retido pela autoridade de trânsito até que a situação seja regularizada, ou seja, até que todos coloquem o cinto.
Por que o passageiro traseiro se torna um “projétil”?
O maior perigo de ignorar o cinto no banco traseiro é o chamado “efeito elefante”. Em uma colisão a 60 km/h, uma pessoa que pesa 70 kg é projetada para frente com uma força equivalente a 3,5 toneladas. Isso significa que o passageiro solto não apenas se fere, mas esmaga quem está sentado nos bancos da frente.
Estudos globais de segurança viária, como os compilados pela [World Health Organization], indicam que o uso do cinto de segurança no banco traseiro pode reduzir o risco de morte e ferimentos graves em até 25% para os ocupantes da frente e em mais de 75% para os próprios passageiros de trás. Sem a retenção, o corpo continua em movimento na velocidade do carro até encontrar um obstáculo — geralmente o banco da frente, o para-brisas ou o asfalto.
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Quais lesões o uso correto evita?
A função biomecânica do cinto é distribuir a força do impacto pelas partes mais resistentes do esqueleto humano: a cintura pélvica (quadril) e a caixa torácica (ombro e peito). Sem ele, a energia do trauma é absorvida por órgãos vitais ou pelo crânio.
Veja as principais consequências físicas evitadas pelo uso do dispositivo:
- Ejeção do veículo: O cinto impede que o ocupante seja arremessado para fora do carro, situação que aumenta drasticamente a chance de óbito.
- Traumatismo Cranioencefálico (TCE): Evita o choque direto da cabeça contra o volante, painel ou vidros.
- Lesões na coluna: Reduz o movimento de “chicote” excessivo que pode causar danos irreversíveis à medula.
- Trauma torácico: Impede o impacto direto do peito contra a estrutura do carro, protegendo coração e pulmões.
- Fraturas faciais: Minimiza o contato do rosto com partes rígidas do interior do veículo.

O cinto é obrigatório para gestantes?
Sim, o uso é obrigatório e vital também para gestantes, mas requer ajuste correto para não prejudicar o feto. A faixa inferior deve ficar posicionada o mais baixo possível, sobre a região pélvica e nunca sobre a barriga. A faixa transversal deve passar entre as mamas e ao lado do abdômen.
Essa configuração impede que, em caso de frenagem brusca, o cinto exerça pressão excessiva diretamente sobre o útero, protegendo tanto a mãe quanto o bebê de traumas abdominais severos e do risco de descolamento prematuro da placenta.