A produção de tênis de corrida é um campo onde a ciência dos materiais encontra a biomecânica. Com solados de espuma EVA comprimida, placas de carbono e testes de tração de 500 kg, a indústria fabrica calçados projetados para absorver o impacto e impulsionar o atleta.
Como é feita a sola que absorve o impacto?
O coração do tênis é a entressola. Tradicionalmente feita de EVA (Etileno Vinil Acetato), hoje ela utiliza espumas supercríticas injetadas com nitrogênio, que são mais leves e responsivas. Essas espumas são moldadas sob calor e pressão para atingir a densidade ideal.
Em modelos de alta performance, placas de fibra de carbono são inseridas dentro da espuma. Elas agem como uma mola, armazenando energia na pisada e devolvendo-a na impulsão, uma tecnologia que revolucionou as maratonas.
Etapas da fabricação:
- Cabedal: Tecido em malha (knit) para respirabilidade.
- Entressola: Injeção de espuma e inserção de placas.
- Sola: Borracha de alta abrasão para aderência.
- Montagem: Colagem e prensagem térmica das partes.
Como a indústria testa a durabilidade?
Antes de chegar às lojas, os protótipos passam por testes brutais. Robôs simulam a pisada humana milhares de vezes para verificar se a espuma deforma (“morre”). Testes de tração aplicam forças de até 500 kg para garantir que a sola não descole do cabedal.
Além disso, corredores reais testam os modelos em esteiras e pistas, monitorados por sensores que medem a eficiência da passada. No Brasil, o setor calçadista é robusto, com dados de exportação monitorados pela Abicalçados.
Para entender a ciência e o design por trás de cada passada, selecionamos os bastidores revelados pelo canal Tênis Certo, referência em análises de calçados esportivos. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente o processo de fabricação de um tênis de corrida, desde os esboços iniciais e prototipagem 3D até os rigorosos testes de biomecânica:
O cabedal: Tricô 3D e respirabilidade
A parte superior do tênis (cabedal) deixou de ser costurada para ser tricotada por máquinas computadorizadas (tecnologias como Flyknit ou Primeknit). Fios de poliéster reciclado são entrelaçados em peça única, sem costuras internas que causem bolhas. Essa técnica permite criar zonas de maior ventilação e áreas de maior suporte estrutural no mesmo tecido, ajustando-se ao pé como uma meia.
Entenda as diferenças técnicas entre um tênis de treino diário e um de competição de elite:
| Característica | Tênis de Amortecimento (Treino) | Super Tênis (Competição) |
|---|---|---|
| Entressola | Espuma EVA (Maciez) | Espuma Pebax + Carbono (Retorno) |
| Durabilidade | Alta (800km+) | Baixa (~400km) |
| Peso | Médio/Alto (Estabilidade) | Ultra Leve (Performance) |
Testes de tortura garantem a qualidade
O produto final passa por uma bateria de testes destrutivos antes de chegar às lojas. Um braço mecânico flexiona o calçado 40 mil vezes para simular uma maratona.
Outro equipamento aplica tração extrema no calcanhar. Apenas os lotes que sobrevivem a essa “maratona mecânica” são aprovados para venda e uso profissional.
Indústria busca soluções para reciclagem
O ciclo se encerra com o desafio do pós-consumo e sustentabilidade. Grandes marcas como a Nike investem em programas que trituram tênis velhos para transformar o resíduo em pisos de quadras poliesportivas.
Essa iniciativa tenta mitigar o impacto ambiental dos polímeros complexos usados na fabricação. O reaproveitamento de materiais fecha o ciclo de vida do produto de forma responsável. Saiba mais sobre certificação de produtos no INMETRO.
