Os juros voltando à casa dos dois dígitos após quase cinco anos, a queda histórica no valor das ações do Facebook e o início do ano legislativo. A primeira semana de fevereiro trouxe isso e muito mais.
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1) Bacen anuncia novo aumento e Selic vai a 10,75%
Em meio ao aumento dos preços dos alimentos, combustíveis e da energia, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central começou 2022 elevando a taxa Selic, juros básicos da economia, de 9,25% para 10,75% ao ano.
A alta dos juros anunciada nesta quarta-feira (2) sacramentou o retorno da Selic aos dois dígitos, o que não se via desde maio de 2017. O atual ciclo de aperto monetário – que totaliza oito aumentos consecutivos e 8,75 pontos percentuais – é o mais acentuado desde 1999, quando, em meio à crise cambial, o Banco Central subiu a taxa em 20 pontos de uma só vez.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a escalada de preços. Com juros maiores, o crédito fica mais restrito, o que também enfraquece o consumo e desestimula a produção. Esses fatores tendem a desacelerar a alta dos preços e as expectativas de inflação.
O Brasil encerrou 2021 com a quarta maior inflação entre 44 economias destacadas pela OCDE e deve fechar este ano superando a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional novamente. Segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal com as principais instituições financeiras do país, a inflação oficial projetada para 2022 é de 5,38%, contra uma meta de 3,50%.
2) Facebook desaba e perde mais de R$ 1 trilhão em valor de mercado
As ações da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, despencaram mais de 26% nesta quinta-feira (03), um dia após o presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, anunciar que pela primeira vez desde sua fundação em 2004, o Facebook perdeu usuários – cerca de 500 mil por dia nos últimos três meses do ano passado.
O tombo diário de US$ 240 bilhões (R$ 1,26 trilhão) foi o maior já registrado por uma companhia americana na história. O valor de mercado perdido pela tech na quinta-feira (3) equivale a uma Disney. Aliás, o próprio Zuckerberg sentiu a queda: com a desvalorização das ações da rede social, seu cofundador ficou US$ 29 bilhões mais “pobre” e está temporariamente fora do ranking das dez pessoas mais ricas do mundo.
O aumento da competição pelo tempo das pessoas e a consolidação de concorrentes foram os principais fatores atribuídos ao resultado negativo da empresa. Em 2021, após cinco anos de existência, o TikTok alcançou a marca de 1 bilhão de usuários e foi o aplicativo mais instalado no planeta. A plataforma chinesa, que pertence à companhia ByteDance, enfrentou ameaças de proibição durante o governo Trump e tem conquistado cada vez mais espaço entre as redes sociais.
3) CVM suspende temporariamente decisão sobre fundos imobiliários
Atendendo a um pedido do BTG Pactual, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu temporariamente nesta terça-feira (1) a decisão da autarquia de que os fundos imobiliários (FII’s) só estariam aptos a fazer distribuição de rendimentos com apuração de lucro contábil.
Na semana passada, o anúncio da autarquia causou perplexidade na indústria, dado que, desde 2014, com base em um ofício expedido pelo próprio colegiado da comissão, os fundos imobiliários fazem distribuição periódica de dividendos por regime de caixa.
Com o efeito suspensivo, o BTG Pactual tem 15 dias úteis para apresentar um requerimento de reconsideração da deliberação – e os diretores do órgão irão se reunir novamente para acatar ou indeferir o pedido.
Figura central da história, o fundo Maxi Renda (MXRF11) – que também é um dos maiores do país, com mais de 500 mil cotistas – chegou a se recuperar mais de 6,5% do fechamento de semana passada mas encerrou o pregão desta quinta-feira (3) a R$9,40, abaixo dos R$9,70 que chegou a bater na quinta-feira.
4) Após um mês de recesso, Congresso Nacional retoma atividades
O Congresso Nacional retornou nesta quarta-feira (2) das férias de fim de ano. No discurso de inauguração do ano legislativo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu as reformas tributária e administrativa; e enfatizou os projetos aprovados pelos deputados em 2021, como a autonomia do Banco Central e as mudanças na Lei de Improbidade Administrativa.
No mesmo tom, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), destacou a premência da modernização do setor público e a necessidade de simplificação da cobrança de impostos, taxas e contribuições no país. Segundo ele, os congressistas devem trabalhar a fim de que o ano eleitoral não “esvazie” a pauta legislativa.
No ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de reforma tributária, mas a matéria não prosperou no Senado. Em seu discurso, Pacheco mencionou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 110, relatada pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA) que prevê a unificação de nove tributos federais. O texto deverá ser pautado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda neste mês.
Em ano eleitoral, entretanto, os parlamentares acreditam que matérias reformistas não tenham espaço para avançar. O êxito de uma PEC depende do apoio de pelo menos 60% do Congresso, algo improvável de ocorrer com um assunto que altera a arrecadação dos estados.
5) Anatel aprova venda de ativos móveis da Oi para concorrentes
Por unanimidade, o conselho diretor da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou na segunda-feira (31) a venda do serviço de telefonia móvel da Oi para o consórcio composto pelas operadoras Vivo, Tim e Claro.
A decisão é um dos capítulos mais importantes do plano de recuperação judicial da Oi e ocorre mais de um ano após as três operadoras vencerem o leilão de ativos da Oi, que foi questionado por rivais como a Algar Telecom.
A Oi encontra- se em recuperação judicial desde 2016, quando pediu proteção à justiça com dívidas acumuladas em mais de R$ 65 bilhões. Ao fim do processo, a companhia manterá atuação apenas em banda larga e telefonia fixa.
Além da anuência da Anatel, a operação de venda da Oi Móvel também precisa ser autorizada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que tem até dia 15 de fevereiro para examinar o negócio.
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