O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, voltou a recuar após se aproximar dos 186 mil pontos, mas manteve o patamar dos 180 mil pontos no final de janeiro, em um movimento sustentado principalmente pela entrada de capital estrangeiro no mercado brasileiro.
O avanço ocorre mesmo em um ambiente externo mais cauteloso, após mudanças nas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos.
Na avaliação de Marco Morelli, da Wiser | BTG Pactual, no novo episódio do podcast Perspectivas da Semana, o desempenho recente do índice reflete a atratividade relativa do Brasil entre os mercados emergentes, em um momento de reprecificação global de juros e câmbio.
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Além da Bolsa brasileira, o IFIX subiu 0,51%, enquanto os contratos de juros futuros de longo prazo recuaram. O dólar, por sua vez, registrou alta frente ao real, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no cenário global. Confira a análise na íntegra:
Nomeação no Fed muda expectativas de liquidez na Bolsa
Segundo Morelli, a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve alterou parcialmente as expectativas do mercado. O novo comando do banco central americano é visto como mais alinhado a uma condução ortodoxa da política monetária, o que reduziu a percepção de cortes rápidos e agressivos de juros nos EUA.
Esse ajuste levou a uma revisão das apostas sobre liquidez global. A expectativa de menor estímulo monetário favoreceu uma realização de lucros em alguns ativos internacionais, embora, segundo o estrategista, isso não represente uma reversão estrutural da tendência de queda dos juros no médio e longo prazo.
A leitura é de que o ciclo de flexibilização monetária segue no radar, mas com possível mudança no ritmo e nos instrumentos utilizados pelo Fed.
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Brasil ganha protagonismo no cenário atual
Com a diminuição relativa do peso do ambiente externo, Morelli avalia que o mercado passa a olhar com mais atenção para os fundamentos domésticos. Dados recentes reforçam essa percepção, como a revisão das projeções de inflação.
O Boletim Focus mostrou queda na estimativa do IPCA de 2026 para 3,99%, movimento que contribui para ajustes positivos na curva longa de juros. A expectativa para a taxa terminal também foi revisada, passando de níveis próximos a 12,40% para cerca de 12,15%.
Esse cenário, segundo a análise, tende a favorecer ativos brasileiros, especialmente aqueles mais sensíveis aos juros de longo prazo.
Agenda econômica
No curto prazo, o mercado acompanha uma agenda intensa de indicadores. No Brasil, investidores aguardam a ata do Copom, agendada para esta terça-feira (3) Entre os outros destaques estão os índices PMI industrial no Brasil e nos Estados Unidos, além das estimativas de crescimento do PIB americano divulgadas pelo Fed de Atlanta.
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A temporada de balanços também entra no radar. Nos Estados Unidos, empresas de tecnologia como Alphabet, dona do Google, divulgará resultados, enquanto, no Brasil, Itaú (ITUB4), Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) dão o pontapé inicial.
Morelli lembra que, especialmente no setor de tecnologia, os balanços têm impacto direto nos preços dos ativos, em meio ao debate sobre ganhos de produtividade e crescimento econômico.
Alguns dados do mercado de trabalho dos EUA estão sob risco em meio ao novo shutdown parcial do governo norte-americano. Negociações indicam que a paralisação pode ser interrompida nesta terça-feira, em caso de acordo.




