Tem gente no interior do Ceará que espera o caminhão-pipa chegar para ter água em casa. O Cinturão das Águas foi feito para mudar isso: são 145 quilômetros de canais, túneis e tubulações levando água do Rio São Francisco até quem mais precisa. E a obra está na reta final.
O que é esse tal de Cinturão das Águas?
Pensa numa mangueira enorme que pega água de um rio grande e leva até cidades que quase não têm chuva. O Cinturão das Águas do Ceará capta água da barragem de Jati, que é abastecida pela Transposição do Rio São Francisco, e leva até a região do Cariri, no interior cearense.
No caminho, a água passa por canais abertos, tubulações enterradas e túneis escavados no solo. Na maior parte do percurso, ela desce sozinha pela inclinação do terreno, sem precisar de bomba. Isso barateia o sistema e garante que ele funcione mesmo em situações difíceis.

Quem vai receber essa água?
A prioridade é água para beber. Depois disso, a obra também vai ajudar quem planta, tem criação de animais e trabalha no turismo e na indústria da região. Segundo dados do Governo do Ceará e da COGERH, são 24 cidades diretamente beneficiadas, com impacto imediato para cerca de 561 mil pessoas.
O número pode crescer bastante: quando o sistema se conectar com outras obras e chegar até Fortaleza, a estimativa oficial é que mais de 4 a 5 milhões de cearenses sejam abastecidos, incluindo moradores de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha.
Por que isso importa tanto para quem vive no Nordeste?
O Cariri é a segunda região mais populosa do Ceará e movimenta muito a economia do estado. Mesmo assim, sempre sofreu com a falta d’água, especialmente nas secas longas que castigam o semiárido nordestino de tempos em tempos.
Ter água com regularidade muda tudo: a criança não falta na escola por causa de doença, o agricultor consegue plantar fora da época de chuva, a família não gasta metade do salário comprando água de caminhão. É uma mudança simples de explicar, mas enorme na prática.
Qual é a situação da obra hoje?
A construção foi dividida em cinco partes. Os trechos 1, 2 e 5 já estão prontos e funcionando. Os lotes 3 e 4, que são os mais complicados de construir, registravam avanço de 86% e 70% respectivamente quando a obra atingiu 91% de conclusão geral em dezembro de 2025, com previsão de entrega completa em junho de 2026.
Quando ficar pronta, o Cinturão das Águas do Ceará vai ser a maior obra de transferência hídrica estadual já realizada no Brasil, segundo o próprio Governo do Estado.

Quanto custou tudo isso?
O investimento total da obra gira em torno de R$ 800 milhões em recursos federais e estaduais combinados. Os lotes 3 e 4, os mais complexos, sozinhos ultrapassaram R$ 1 bilhão em função dos desafios de engenharia envolvidos. A obra é uma parceria entre o Governo Federal e o Governo do Estado do Ceará.
Veja o que foi colocado em campo para construir o Cinturão das Águas:
- 145,3 km de extensão total, com canais abertos, túneis e sifões ao longo do percurso.
- Mais de 1.500 trabalhadores empregados diretamente durante a construção.
- Mais de 500 máquinas pesadas operando ao mesmo tempo nos canteiros de obra.
- 24 municípios dentro da área que será diretamente abastecida pelo sistema.
Quem quer entender o abastecimento no Nordeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Ministério da Integração Desenvolvimento Regional, que conta com mais de 13 mil visualizações, onde a equipe mostra o projeto do cinturão das águas no Ceará:
E depois que a obra acabar, quem cuida?
A COGERH (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará), que já gerencia os rios e açudes do estado, vai assumir a operação e manutenção do sistema. Ela também vai acompanhar todo mês quanto de água está chegando em cada cidade atendida.
O Cinturão das Águas do Ceará não resolve de uma vez o problema histórico da seca no Nordeste. Mas para centenas de milhares de pessoas, ele representa algo muito concreto: abrir a torneira e ter água. Isso, que parece tão básico, ainda é uma conquista para muita gente nesse país.











