O dólar fechou esta terça-feira (3) em leve queda de 0,18%, a R$ 5,25. O movimento ocorreu após um repique recente do dólar global, provocado pela indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed) pelo presidente Donald Trump.
No mercado doméstico, a valorização do real foi favorecida pela alta do petróleo e pela expectativa de entrada de recursos estrangeiros na bolsa brasileira, fatores que tendem a aumentar a oferta de dólares no país.
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Ata do Copom reforça apostas em corte maior da Selic
No Brasil, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a indicação de que o Banco Central pretende iniciar em março um ciclo de redução da Selic. O documento não trouxe sinais mais rígidos e reiterou a necessidade de manter os juros em patamar restritivo para consolidar o processo de desinflação.
O comitê destacou que a intensidade e a duração do ciclo de cortes dependerão da evolução dos indicadores econômicos, mantendo o mercado atento aos próximos dados de inflação e atividade.
A ata levou instituições como Santander e Itaú a revisarem suas projeções para a próxima decisão de juros. As casas passaram a projetar um corte de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic em março, ante a estimativa anterior de redução de 0,25 ponto.
Apesar disso, a avaliação predominante segue sendo de um ciclo de afrouxamento monetário gradual. A expectativa é de manutenção de juros reais elevados — isto é, a taxa de juros descontada a inflação — e de um diferencial amplo entre os juros do Brasil e de outras economias.
Esse diferencial estimula o chamado carry trade, estratégia em que investidores captam recursos em países com juros baixos para aplicar em mercados com taxas mais altas, como o Brasil, reduzindo o incentivo para manter posições compradas em dólar.
Fluxo estrangeiro sustenta ativos brasileiros
Em fala ao Broadcast, o diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, disse que o cenário externo segue favorável para os ativos brasileiros. Ele destaca o ingresso de mais de R$ 26 bilhões de investidores estrangeiros na B3 em janeiro, o segundo maior volume da série histórica.
Para o economista, o início do ciclo de cortes da Selic não compromete o desempenho do real. A avaliação é de que o nível ainda elevado dos juros mantém o Brasil atrativo para o capital externo, sustentando o carry trade.
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Dólar recua no exterior e commodities ganham força
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuava cerca de 0,2% no fim do dia, em torno de 97,45 pontos.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
Entre moedas de países emergentes e exportadores de commodities, o destaque foi o dólar australiano, que avançou cerca de 0,90% após o banco central da Austrália anunciar alta de juros.
Nos Estados Unidos, a Câmara dos Representantes aprovou um pacote de financiamento governamental de US$ 1,2 trilhão, revisado pelo Senado, para encerrar a paralisação parcial do governo. Dados importantes do mercado de trabalho, como o relatório Jolts e o payroll de janeiro, tiveram divulgação adiada por conta do impasse orçamentário.




