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Inflação (IPCA) inicia 2026 estável, mas pressionada por gasolina

Por Redação
10/fev/2026
Em Mercados, Notícias
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em janeiro, repetindo a variação observada em dezembro de 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,26% para 4,44%.

O número divulgado nesta terça-feira (10) veio praticamente em linha com as expectativas do mercado (alta de 0,32%) e reforça a leitura de desaceleração gradual da inflação, ainda que em um ambiente marcado por pressões pontuais, especialmente em preços administrados.

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Gasolina pressiona, mas energia elétrica ajuda a conter índice

O grupo Transportes subiu 0,60% e teve o maior impacto no IPCA de janeiro, com contribuição de 0,12 ponto percentual. O principal fator foi a alta de 2,06% da gasolina, que respondeu sozinha por 0,10 ponto percentual do índice.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, a gasolina teve peso elevado na cesta de consumo das famílias e foi impactada pelo reajuste do ICMS em vigor desde 1º de janeiro. Também subiram etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).

Na direção oposta, o grupo Habitação recuou 0,11%, com queda de 2,73% na energia elétrica residencial. A redução ocorreu após a mudança da bandeira tarifária amarela, em dezembro, para a verde em janeiro, sem cobrança adicional.

Para Alexandre Maluf, economista da XP Investimentos, a alta em 12 meses foi influenciada por uma “janela estatística desfavorável”, já que em janeiro do ano passado houve o bônus de Itaipu, que havia reduzido as contas de luz. Segundo ele, esse efeito deve se dissipar nos próximos meses.

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Transportes e Comunicação avançam; serviços perdem fôlego

Ainda em Transportes, o ônibus urbano subiu 5,14%, refletindo reajustes tarifários em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. Em contrapartida, houve forte recuo em transporte por aplicativo (-17,23%) e passagens aéreas (-8,90%), após altas expressivas em dezembro.

Para Julio Barros, economista do Banco Daycoval, a devolução desses preços contribuiu para manter a inflação de serviços em patamar mais baixo. “A parte de serviços veio mais benigna, puxada por passagens aéreas e transporte por aplicativo”, avaliou.

O grupo Comunicação teve a maior variação entre os nove grupos, com alta de 0,82%, influenciada por aparelhos telefônicos e reajustes em planos de TV por assinatura e combos de telecomunicações.

Em Saúde e cuidados pessoais, a alta foi de 0,70%, com destaque para artigos de higiene pessoal e planos de saúde.

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Alimentação desacelera e ajuda leitura inflacionária

O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,23% em janeiro, desacelerando frente a dezembro (0,27%). A alimentação no domicílio avançou apenas 0,10%, com quedas relevantes no leite longa vida (-5,59%) e no ovo de galinha (-4,48%).

Segundo Fernando Gonçalves, a alimentação é o grupo de maior peso no IPCA, respondendo por 21,42% das despesas das famílias. A desaceleração, portanto, teve papel importante para conter o índice no mês.

Na análise de Daniel Xavier, economista-chefe do Banco ABC Brasil, a leitura confirma a tendência de arrefecimento gradual da inflação. “As surpresas de alta ficaram concentradas em Transportes e Vestuário, sem alterar a trajetória do indicador”, afirmou.

Entre as 16 localidades pesquisadas, Rio Branco (0,81%) registrou a maior alta, influenciada pela energia elétrica e artigos de higiene pessoal. Belém teve a menor variação (0,16%), com recuo da energia elétrica e das passagens aéreas.

O INPC subiu 0,39% em janeiro e acumula alta de 4,30% em 12 meses, acima dos 3,90% registrados anteriormente.

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O que muda para os juros

Para a Capital Economics, o avanço da inflação em 12 meses mascara uma melhora das pressões subjacentes, especialmente em serviços. A consultoria avalia que o cenário dá mais conforto ao Copom para iniciar o ciclo de cortes da Selic em março, com possibilidade de redução de 50 pontos-base.

Economistas como Maykon Douglas e Julio Barros ponderam que, apesar do dado mais benigno, o mercado de trabalho aquecido ainda exige cautela. A expectativa predominante segue sendo de início de cortes graduais, com debate aberto sobre a intensidade do primeiro movimento.

Na visão de Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, os dados reforçam que a política monetária deve seguir orientada por evidências técnicas. “Com inflação comportada e expectativas mais ancoradas, o espaço para um ciclo gradual de cortes se torna mais consistente”, afirmou.

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