O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), renovou seu recorde de fechamento nesta segunda-feira (9), em meio a um novo fluxo de capital estrangeiro. O índice encerrou o dia com uma valorização de 1,80%, aos 186.241,15 pontos.
O rali foi motivado pela maior intensidade da rotação global de ativos, movimento no qual investidores reduzem a exposição a economias desenvolvidas e reforçam posições em países emergentes. A mudança de direção ganhou tração depois que o banco central da China (PBoC) recomendou a instituições financeiras locais que evitassem ampliar as apostas em títulos públicos dos Estados Unidos, os Treasuries.
Com mais dinheiro entrando, as ações de maior peso do índice puxaram o avanço. A Petrobras acompanhou a valorização do petróleo no mercado internacional e viu suas ações avançarem 2,03% (ON) e 1,83% (PN), enquanto a mineradora Vale teve desempenho firme, com alta de 1,96%.
No setor financeiro, a alta foi generalizada, com exceção do BTG, que fechou em leve baixa de 0,12%. O Santander liderou os ganhos do setor (+5,98%), seguido por Itaú (+3,34%) e Banco do Brasil (+2,01%). Já o Bradesco avançou 1,40% (ON) e 1,46% (PN).
Entre as maiores altas do dia, destaque para Magazine Luiza, que disparou 7,55%. Do lado negativo, a principal pressão veio de Hapvida, que recuou 2,72%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia no menor nível desde 2024, com desvalorização de 0,62% frente ao real, cotado a R$ 5,19, com a diversificação de carteiras globais e indicações da China de que pode reduzir a exposição aos títulos públicos dos EUA.
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No cenário internacional, o dia promete forte movimentação, com investidores ajustando posições antes de uma bateria de indicadores e prazos políticos relevantes.
Nos Estados Unidos, a véspera do payroll traz como principal evento as vendas no varejo, com expectativa de alta de 0,4% em dezembro. Ao longo da tarde, o foco também se volta para o Federal Reserve (Fed), com discurso de Beth Hammack e Lorie Logan, com o mercado sondando os próximos passos sobre os juros.
Em Washington, a política adiciona tensão ao radar com a possibilidade de um novo shutdown. O Congresso tem prazo até sábado à noite para evitar a paralisação do Departamento de Segurança Interna (DHS), já que o orçamento aprovado no começo do mês garantiu recursos apenas por duas semanas.
No Brasil, as atenções se concentram no IPCA de janeiro, dado crucial para calibrar as apostas para a reunião do Copom de março.
O mercado também monitora a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no CEO Conference, evento do BTG Pactual, nesta quarta-feira (11), depois de ter reforçado a sinalização de um ritmo gradual para o ciclo de cortes da Selic.
No front fiscal, o Tesouro Nacional abriu o ano com força no mercado externo. Foram captados US$ 4,5 bilhões nesta segunda-feira, sendo US$ 3,5 bilhões em um novo título de 10 anos (Global 2036) e US$ 1 bilhão no Global 2056.
A emissão do Global 2036 marcou o maior volume já levantado pelo Brasil em um bond de 10 anos. O papel saiu com cupom de 6,25% ao ano, preço de 98,896% do valor de face e retorno ao investidor de 6,4% ao ano.
Já o Global 2056 teve aumento de 40% em relação à oferta original, alcançando estoque total de US$ 3,5 bilhões. O título paga cupom de 7,250% ao ano, foi precificado a 99,385% do valor de face e oferece yield de 7,3%.
Segundo o governo, trata-se do menor spread de lançamento para um papel brasileiro de 30 anos em mais de uma década.
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Manchetes desta manhã
- Rombo da previdência salta 62,7% em uma década (Valor)
- Ranking de corrupção mantém Brasil em sua pior posição, e ONG cita caso Master e emendas (Folha)
- Fundadores do Nubank, Stone e XP se unem para criar hub de empreendedorismo (Estadão)
- Fictor: credores criam associação e não acreditam em ressarcimento dos investimentos sem deságio (O Globo)
Mercado global
As Bolsas da Europa operam mistas, com Londres em queda, em meio à cautela dos investidores diante da turbulência política no Reino Unido, com o premiê Keir Starmer pressionado ao ter aliado envolvido no caso Epstein.
Na Ásia, os mercados fecharam em alta, puxados pelas empresas de tecnologia, enquanto o Japão renovou máximas históricas após a vitória eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi.
Na China, o índice Shenzhen fechou em leve alta de 0,02%, enquanto o Xangai avançou 0,13%. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,07% e em Taiwan, o Taiex registrou ganhos de 2,06%.
Em Nova York, os índices futuros abriram próximos da estabilidade, após o Dow Jones renovar recorde de fechamento, com a recuperação das ações de tecnologia reduzindo temores sobre gastos excessivos com inteligência artificial.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,11%
- FTSE 100: -0,17%
- CAC 40: +0,32%
- Nikkei 225: +2,2%
- Hang Seng: +0,58%
- Shanghai SE Comp: +0,13%
- Ouro (abr): -0,18%, a US$ 5.070,2 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): estável, aos 96,818 pontos
- Bitcoin: -0,67% a US$ 69.138,7
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Commodities
- Petróleo: avança levemente nesta terça-feira, mantendo o embalo positivo da sessão anterior, enquanto investidores acompanham de perto os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã em torno do programa nuclear do país.
No radar também está a reunião prevista para amanhã, em Washington, entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
O Brent/abril avança 0,32%, cotado a US$ 69,26 e o WTI/março sobe 0,16%, a US$ 64,46. - Minério de ferro: fechou estável na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 109,9.
O movimento foi sustentado pela expectativa de que o governo chinês anuncie novas medidas de estímulo à economia ao fim do primeiro trimestre, segundo a ANZ Research.
Cenário internacional
Nos EUA, o principal indicador do dia é o varejo de dezembro, termômetro relevante da força do consumo em meio às apostas para os próximos passos do Federal Reserve. Também saem o custo do emprego, medido pelo BLS, e o relatório semanal da ADP sobre a criação de vagas no setor privado.
O noticiário ganha peso extra com a presença de dirigentes do banco central americano. Às 14h, a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, participa de uma conferência. Na sequência, às 15h, é a vez da presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, falar em painel.
Ainda assim, a maior ansiedade da semana permanece voltada para o payroll, previsto para esta quarta-feira (11).
Cenário nacional tem IPCA no radar
No Brasil, investidores começam o dia de olho no IPCA de janeiro, dado-chave para ajustar as projeções para a trajetória da Selic.
O BTG Pactual estima alta de 0,30% no mês e 4,41% em 12 meses. A leitura deve trazer pressão de carnes e alimentos frescos em alimentação no domicílio, enquanto os bens industriais tendem a refletir aumentos em automóveis e produtos de cuidados pessoais.
A política econômica também marca presença na agenda. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa do CEO Conference do BTG às 9h. Mais tarde, às 11h30, será a vez do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, falar no mesmo evento.
Pela manhã, às 9h40, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, visita o jornal O Estado de S. Paulo, em encontro que pode trazer novas sinalizações sobre o ritmo de decisões da autoridade monetária.
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Destaques do mercado corporativo
- Vale: os tribunais rejeitaram liminares que pediam bloqueios de até R$ 2,8 bi; resta decisão sobre R$ 200 mi.
- Petrobras: assinou contrato de vapor com a Braskem para a Fafen; a Namíbia ainda não reconhece licença da PEL104.
- Braskem: a CVM abriu processo contra 33 executivos por desdobramentos do caso de Maceió.
- Raízen: Fitch e Moody’s rebaixaram ratings após contratação de assessores para rever a estrutura de capital.











