Os golpes financeiros contra idosos atingiram níveis alarmantes nos últimos meses, com quadrilhas especializadas em explorar a confiança e a falta de familiaridade digital de quem tem mais de 60 anos. Não se trata mais apenas de ligações aleatórias; os criminosos agora usam dados vazados para criar cenários perfeitos, fingindo ser gerentes de banco, funcionários do INSS ou entregadores de presentes.
Como funciona o “Golpe do Presente de Aniversário”?
Nesta modalidade, que cresceu assustadoramente, um motoqueiro chega na sua casa no dia do seu aniversário (ou datas próximas) com um presente “enviado por um amigo anônimo”. Ele diz que o presente é grátis, mas que você precisa pagar apenas uma taxa de entrega simbólica, entre R$ 5 e R$ 10.
O perigo está na hora de passar o cartão. O golpista usa uma maquininha com o visor quebrado ou alterado, onde o valor digitado é de R$ 1.000, R$ 5.000 ou mais, em vez da taxa combinada. Em outros casos, ele usa distração para trocar o seu cartão por um falso sem que você perceba.
A “Prova de Vida pelo WhatsApp” é real?
Jamais acredite nisso. Golpistas entram em contato pelo WhatsApp usando a logo do INSS ou do Gov.br, pedindo uma foto do seu rosto (selfie) ou dos seus documentos para realizar a “prova de vida online” e evitar o bloqueio do benefício.
O INSS nunca faz prova de vida por WhatsApp ou pede fotos de documentos por mensagem. Ao enviar esses dados, você entrega sua identidade para que eles abram contas digitais e façam empréstimos em seu nome. O procedimento real é feito automaticamente pelo cruzamento de dados do governo (votação, vacinação, renovação de CNH) ou direto no aplicativo oficial Meu INSS.
O que é o golpe do “Falso Atendimento Bancário”?
O telefone toca e uma voz calma informa que uma “compra suspeita” de valor alto foi feita no seu cartão e pergunta se você confirma. Quando você diz “não”, eles fingem transferir para uma central de segurança (muitas vezes com música de espera igual à do banco) para “cancelar” a operação.
Nesse momento, eles pedem suas senhas, tokens ou instruem você a fazer uma transferência para uma “conta segura” para proteger seu saldo. Lembre-se: o banco nunca pede para você fazer transferências para proteger dinheiro, nem pede sua senha por telefone.
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Como diferenciar um contato real de um golpe?
A confusão é a principal arma dos bandidos. Use a tabela abaixo para saber rapidamente se quem está falando com você é confiável ou não:
| Situação | Canal Oficial (Verdadeiro) | Golpe (Falso) |
|---|---|---|
| Prova de Vida | Automática ou App Meu INSS | WhatsApp / Ligação pedindo foto |
| Bloqueio de Conta | Aviso no App ou Gerente da Agência | SMS com link / Ligação pedindo senha |
| Presentes | Entrega paga pelo remetente | Cobrança de taxa na porta (máquina) |
| Empréstimo | Contratado por você | Dinheiro que “caiu por engano” |
Caí em um golpe, e agora?
A rapidez é sua maior aliada. Entre em contato imediatamente com seu banco (pelo número que está atrás do cartão) para bloquear as contas e conteste as operações. Em seguida, faça um Boletim de Ocorrência (B.O.), que hoje pode ser feito pela internet na maioria dos estados.
Para casos envolvendo benefícios previdenciários, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) orienta que o idoso nunca forneça senhas ou códigos de acesso por telefone e procure diretamente sua agência caso note qualquer desconto estranho no extrato da aposentadoria.

Como proteger seu dinheiro no dia a dia?
A prevenção exige mudança de hábitos simples. Nunca entregue seu cartão para terceiros, cubra a senha ao digitar e desconfie de qualquer vantagem financeira exagerada ou urgência do outro lado da linha.
Adote estas três regras de ouro para blindar seu patrimônio:
- Se receber ligação do banco dizendo que clonaram seu cartão, desligue e ligue você mesmo de outro aparelho.
- Diminua os limites de PIX e transferência noturna no seu aplicativo bancário.
- Não clique em links recebidos por SMS ou e-mail sobre “pontos vencendo” ou “benefício bloqueado”.

