Os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã reacenderam a tensão no Oriente Médio e o petróleo operou no maior patamar desde junho de 2025 durante as primeiras horas desta segunda-feira (2). Além dos preços da commodity, o movimento pode impactar os juros do Brasil.
Para Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, a intensidade e a duração do choque externo serão determinantes para a política monetária brasileira neste ano.
“Caso o risco geopolítico se traduza em inflação importada ou pressão cambial mais intensa, novas revisões para cima em inflação e para baixo na velocidade de cortes da Selic podem ocorrer nas próximas semanas”, afirmou.
Segundo Adam Hetts, diretor global de multiativos da Janus Henderson, o foco imediato dos investidores está no impacto sobre a oferta de energia. O Irã responde por cerca de 3% a 4% da produção mundial de petróleo.
O ponto mais sensível é o Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% do suprimento global da commodity. A interrupção ou restrição do tráfego na região tende a afetar diretamente os preços.
- Tem precatórios a receber? Saiba que possível sair da fila e transformar em dinheiro já. Clique aqui e simule a venda.
Petróleo sobe e mercado avalia escalada
Nos últimos 12 meses, o petróleo vinha oscilando entre US$ 60 e US$ 70. Com a escalada do conflito, os preços ultrapassaram US$ 70 e podem avançar para US$ 80 ou US$ 90, segundo cálculos da Janus Henderson.
Às 11h45, o petróleo Brent opera em alta de 7,47%, aos US$ 78,31, enquanto o WTI sobe 6%, aos US$ 71.
Para Hetts, níveis acima de US$ 100 por barril seriam compatíveis com um conflito de maior duração, como ocorreu na invasão da Ucrânia em 2022. No estágio atual, o mercado ainda precifica um embate limitado, mas monitora a possibilidade de escalada.
O aumento do petróleo impacta a inflação global porque encarece combustíveis, fretes e energia elétrica. Esse efeito pode reduzir a probabilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve, caso o choque persista.
- Reduza a conta de energia sem obras nem investimentos. Levantamento gratuito mostra quanto você pode economizar no mercado livre de energia
Impacto na inflação e na Selic
No Brasil, o efeito ocorre principalmente via inflação e câmbio. A alta do petróleo influencia diretamente os preços de combustíveis e pode gerar repasses ao longo da cadeia produtiva.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, afirma que projeções de inflação próximas de 4% em 12 meses podem ser revisadas se o barril subir consistentemente.
“Esse repasse encarece a cadeia produtiva, pressiona alimentos, indústria e serviços, e tende a desancorar expectativas. Se o dólar voltar a operar em patamares mais elevados, o impacto se amplia via insumos importados e bens comercializáveis. Nesse contexto, o Banco Central pode ser forçado a manter a Selic elevada por mais tempo ou até rever o ritmo de cortes projetados”, afirmou Araújo.
Peterson Rizzo, da Multiplike, avalia que o Boletim Focus desta segunda-feira (2) ainda não incorporou integralmente um choque prolongado de energia. Caso o conflito pressione petróleo e dólar persistentemente, o ritmo de cortes da Selic pode ser reduzido.
- Mercado volátil? Sem estratégia, a chance de erro é maior. Baixe o eBook gratuito de Guto Gioielli e aprenda a decidir com inteligência.
Impacto da alta do petróleo no dólar, bolsas e ativos de proteção
A busca por ativos considerados mais seguros — títulos do Tesouro dos EUA e moedas mais fortes — durante incertezas geopolíticas é algo comum gerando uma forte oscilação nos ativos.
Segundo Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, o dólar passou a operar com viés de cautela, acompanhando o aumento da aversão ao risco global. O real tende a reagir conforme evoluem os desdobramentos diplomáticos e militares.
Raíssa Florence, sócia da Oz Câmbio, afirma que o fechamento ou ameaça ao Estreito de Ormuz reabre um ciclo de estresse nos mercados. O movimento típico inclui fortalecimento do dólar, queda de bolsas e alta de juros futuros.
Para ela, o impacto no Brasil é duplo: de um lado, empresas ligadas a commodities podem sustentar a bolsa no curto prazo; de outro, a pressão sobre inflação e câmbio pode limitar o espaço para cortes de juros e gerar volatilidade no real.
“O real vinha se beneficiando de fluxo para emergentes. Um choque geopolítico dessa magnitude pode inverter parcialmente esse movimento”, avalia Raissa.
Casa, comércio ou indústria: todos podem economizar no mercado livre de energia. Descubra como!
Brasil pode ter efeito misto
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou durante evento do jornal Valor Econômico, que o impacto inflacionário tende a ser limitado se o barril permanecer entre US$ 75 e US$ 85.
Segundo ele, como o Brasil é exportador de petróleo, preços mais altos podem beneficiar a balança comercial e elevar receitas com royalties, desde que não haja disparada acima de US$ 100.











