A Petrobras (PETR3; PETR4) triplicou seu lucro líquido em 2025, registrando R$ 110,1 bilhões no acumulado anual na comparação com 2024. No quarto trimestre, a estatal reverteu prejuízo em relação ao mesmo período do ano anterior e lucrou R$ 15,5 bilhões.
Apesar da recuperação, o resultado do trimestre foi 52,3% menor do que o obtido no terceiro trimestre, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (5) após o fechamento do mercado.
As receitas com vendas cresceram 1,4% no ano, para R$ 497,5 bilhões. Já o Ebitda, indicador de geração operacional de caixa, avançou 10,6%, totalizando R$ 237,1 bilhões.
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Nesta sexta-feira (6), os papéis da Petrobras operam em forte alta após o balanço, amenizando a queda do Ibovespa — que perdeu o nível dos 180 mil pontos nesta manhã. Confira o desempenho:
- PETR3: R$ 46,12, alta de 4,89%
- PETR4: R$ 42,44 sobe 4,30%
- Ibovespa: cai 0,66%, aos 179.280,98 pontos
Produção maior da Petrobras compensou queda do petróleo
De acordo com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o desempenho de 2025 refletiu a expansão da produção de óleo e gás e a otimização de projetos.
Segundo ela, o aumento do volume produzido permitiu compensar a queda do preço do petróleo do tipo Brent ao longo do ano.
“O ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção. O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do (petróleo do tipo) Brent e alcançar resultados financeiros robustos”, disse Magda.
O diretor financeiro da companhia, Fernando Melgarejo, afirmou que a empresa gerou cerca de R$ 200 bilhões em caixa operacional em 2025, resultado atribuído à disciplina de capital e à eficiência operacional.
Em dólares, o lucro anual da estatal somou US$ 19,6 bilhões, alta de 160,8% na comparação anual.
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Petrobras perde trono de dividendos para o Itaú
Mesmo com o lucro elevado, a Petrobras vai pagar menos dividendos aos acionistas e perdeu o posto de maior pagadora para o Itaú, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. A remuneração total relativa a 2025 será de R$ 41,2 bilhões, queda de 45,6% em relação aos R$ 75,8 bilhões distribuídos no ano anterior.
O conselho de administração aprovou o envio à assembleia de acionistas da proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões referentes ao quarto trimestre. Somados aos proventos já antecipados, o total chega a R$ 41,2 bilhões.
De acordo com a consultoria, esta foi a primeira vez após três anos que a Petrobras saiu do topo da lista de pagamento de dividendos, com o Itaú distribuindo cerca de R$ 48,9 bilhões em proventos.
Entre 2022 e 2024, a Petrobras liderou com folga o ranking de distribuição de caixa da Bolsa brasileira, impulsionada por um ciclo de preços elevados do petróleo e por uma política de remuneração bastante agressiva naquele período.
“O ápice desse movimento ocorreu em 2022, quando a Petrobras chegou a desembolsar R$ 194,6 bilhões em dividendos e JCP”, afirmou em nota a Elos Ayta.
Na visão dos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, do BTG Pactual, os dividendos vieram “ligeiramente” melhores do que o esperado. O banco avalia que os pagamentos de dividendos continuam acima do FCFE (Fluxo de Caixa Livre para o Acionista), enquanto a dívida líquida da Petrobras seguiu crescendo no trimestre, chegando a US$ 60,6 bilhões.
O BTG tem recomendação de compra para as ADRs da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15, potencial de valorização de 23,6% no comparativo com o fechamento anterior.
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Investimentos e dívida sob atenção do mercado
Os analistas do Citi (Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona) afirmam que o resultado ficou em linha com as projeções do mercado, mas apontam como pontos de atenção o aumento do capex e da dívida líquida.
“O principal potencial de alta reside no volume líquido de exportação de petróleo (aproximadamente 900 mil barris por dia, de uma produção de petróleo de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia)”, avaliam.
Os investimentos da companhia chegaram a US$ 6,6 bilhões no quarto trimestre, impulsionados por antecipação de projetos e participação em leilões de áreas do pré-sal.
Relatório do Itaú BBA destaca que a geração de caixa da estatal foi robusta e permitiu reduzir a alavancagem para cerca de 1,4 vez a relação dívida líquida/Ebitda.
Ainda assim, os analistas indicam que o ritmo elevado de investimentos pode pressionar o caixa no curto prazo, enquanto a expansão da produção tende a ampliar a geração de caixa no médio prazo.











