O consumo nos lares brasileiros avançou 1,95% em fevereiro de 2026 na comparação anual, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) nesta quinta-feira (19), e a expectativa é de uma nova alta no mês de março, influenciada pela Páscoa.
Em relação a janeiro, no entanto, o número representa uma queda de 3,8%, influenciada pelo efeito calendário, já que o mês teve menos dias e um sábado a menos, reduzindo o fluxo nas lojas.
No acumulado do primeiro bimestre, o indicador registra alta de 1,76%. Os dados são ajustados pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Mercado de trabalho sustenta consumo
Segundo a Abras, o avanço na comparação anual é influenciado pelo desempenho do mercado de trabalho e por programas de transferência de renda. Esses fatores ampliam a renda disponível das famílias, o que tende a sustentar o consumo.
O levantamento considera todos os formatos de supermercados, desde grandes redes até estabelecimentos de menor porte.
A Abrasmercado, que monitora uma cesta com 35 itens de consumo, registrou alta de 0,47% em fevereiro frente a janeiro. O valor passou de R$ 799,08 para R$ 802,88.
Na comparação anual, no entanto, houve recuo: em fevereiro de 2025, a mesma cesta custava R$ 806,71.
Páscoa deve elevar consumo em março, mas alta do chocolate limita vendas
A Abras projeta crescimento de até 10% no volume de consumo durante a Páscoa de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Para março, a expectativa é de alta mensal entre 1% e 1,5%.
O aumento está ligado à demanda por produtos típicos da data, como chocolates e itens para refeições. Mesmo assim, o consumidor tende a manter um comportamento mais seletivo.
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Os preços do chocolate são um fator de restrição para o consumo. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram que chocolates em barra e bombons acumulam alta de 26,36% em 12 meses até fevereiro, acima da inflação geral de 3,81% no período.
Os preços dos ovos de Páscoa, caixas de bombons e mini ovos apresentam variação média próxima de 3,8%. Já o bacalhau tem aumento médio de 7,6%, acima de outros itens típicos.
Entre bebidas, os preços variam entre 1,75% para vinhos importados e cerca de 3,8% para vinhos nacionais, refrigerantes e cervejas.
Supermercados descartam risco de desabastecimento na Páscoa
A Abras informou que as redes já receberam os produtos para a Páscoa, o que reduz o risco de falta de itens nas lojas. A entidade também afirmou que não há indicação concreta de paralisação de caminhoneiros até o momento.
Em coletiva nesta manhã, Marcio Milan, vice-presidente da Abras, disse que a situação é “tranquila e confortável” para os supermercados. “As lojas estão abastecidas, principalmente para o período da Páscoa”, afirmou.
O setor monitora a greve, especialmente por causa do impacto do diesel no transporte de mercadorias. Segundo a associação, medidas pontuais do governo sobre combustíveis são acompanhadas pelo setor.
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Corte de juros pode estimular consumo
A decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir a taxa básica de juros — pela primeira vez desde maio de 2024 — em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, é vista por Milan como um sinal de início de ciclo de queda.
Apesar do indicativo de flexibilização nos próximos meses, o executivo revelou que esperava por um corte maior na reunião anunciada nesta superquarta (18).











