A Cemig (CSMG3) registrou um lucro líquido de R$ 1,876 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta de 88% em relação ao mesmo período de 2024, segundo balanço trimestral divulgado nesta quinta-feira (19).
O lucro ajustado, que exclui efeitos não recorrentes, foi de R$ 1,022 bilhão no trimestre, queda de 12,3% na comparação anual. A receita líquida atingiu R$ 11,5 bilhões no trimestre, crescimento de 2,9% frente ao mesmo período de 2024.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador usado para medir a geração de caixa operacional) somou R$ 2,947 bilhões entre outubro e dezembro, avanço de 54% na base anual. Já o Ebitda ajustado ficou em R$ 1,811 bilhão, recuo de 6,5%.
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Já o resultado financeiro líquido — que inclui despesas com juros e variações monetárias — ficou negativo em R$ 290,4 milhões, redução de 26,7% na comparação anual. A dívida líquida da companhia encerrou o ano em R$ 13,624 bilhões, aumento de 69,9% em relação ao fim de 2024.
Consumo de energia e mercado
O fornecimento de energia somou 11.882 gigawatts-hora (GWh) no quarto trimestre de 2025, queda de 3,5% em relação ao mesmo período de 2024, desconsiderando a geração distribuída (GD).
Segundo a companhia, o recuo foi influenciado pela redução de 4,3% no consumo do mercado cativo e de 2,9% no uso da rede por clientes livres.
A energia compensada por geração distribuída alcançou 1.707 GWh no trimestre, crescimento de 16,4% na comparação anual. Considerando esse volume, a energia total distribuída caiu 1,4%.
Na análise por classes de consumo, a demanda industrial recuou 7,7%, enquanto os segmentos de serviços públicos e comercial caíram 4,7% e 1,8%, respectivamente. A companhia atribui o movimento à migração de consumidores para geração distribuída e para o mercado livre.
O consumo residencial subiu 0,7%, impulsionado pelo aumento de 3,1% no número de clientes. Já a classe rural avançou 8,8%, refletindo maior uso de irrigação devido ao menor volume de chuvas.
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Resultado da Cemig em 2025
Em 2025, a Cemig registrou lucro líquido de R$ 4,9 bilhões. O Ebitda anual foi de R$ 8,283 bilhões, queda de 26,4% em relação a 2024.
Os investimentos totalizaram R$ 6,63 bilhões no ano, alta de 16% na comparação anual. Desse montante, R$ 5,2 bilhões foram destinados ao segmento de distribuição.
Análise: desempenho acima do esperado
De acordo com o Citi, os resultados do quarto trimestre vieram acima das estimativas em termos de Ebitda e lucro, impulsionados principalmente pela divisão de distribuição e por itens não recorrentes.
Segundo os analistas, o Ebitda ajustado, desconsiderando efeitos extraordinários como reversão de provisões, ficaria em R$ 1,86 bilhão — queda anual de 4%, mas 14% acima da projeção do banco. O lucro líquido ajustado de R$ 1,02 bilhão também superou as estimativas.
A área de distribuição foi o principal destaque, com Ebitda ajustado de R$ 958 milhões, apoiado por volumes maiores, redução de custos e melhora na inadimplência.
Por outro lado, a Gasmig apresentou resultado abaixo do esperado, impactada pela migração de clientes para o mercado livre. Já a área de geração e transmissão teve desempenho em linha com as estimativas, mas pressionado por menor geração e custos mais altos de compra de energia.
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A divisão de comercialização registrou Ebitda negativo de R$ 46 milhões, refletindo custos maiores em um ambiente de preços elevados no mercado de curto prazo.
O banco destacou ainda a redução da posição vendida de energia para 2026 a 2028, movimento relevante em um cenário de preços mais altos.
A alavancagem da companhia, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, subiu para 2,3 vezes no trimestre, ante 1,8 vez no período anterior.
Apesar dos resultados acima do esperado, o Citi manteve recomendação neutra para a companhia, com preço-alvo de R$ 11,50. Segundo o banco, o potencial de valorização das ações é limitado, com expectativa de retorno parcialmente sustentada por dividendos estimados em cerca de 9%.











