Redes de criptomoedas estão sendo usadas por Irã e Rússia para financiar atividades militares e de espionagem fora do sistema financeiro tradicional, segundo Jonathan Levin, CEO da Chainalysis. A avaliação aponta crescimento no uso de ativos digitais para evasão de sanções internacionais.
Em entrevista ao Valor Econômico, Levin afirmou que o uso de criptomoedas por Estados ganhou escala nos últimos anos. “A evasão de sanções cresceu muito e tem impacto geopolítico relevante”, disse.
“Stablecoins foram usadas para financiar a máquina de guerra da Rússia e vimos o Irã pagando informantes e espiões em outras partes do mundo com criptomoedas.”
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Stablecoins e sanções no centro da estratégia
Relatório da Elliptic indica que o banco central do Irã comprou mais de US$ 500 milhões em stablecoins atreladas ao dólar para contornar sanções e mitigar a crise cambial.
Já a Rússia desenvolveu uma stablecoin vinculada ao rublo, chamada A7A5, com o objetivo de viabilizar pagamentos internacionais sem passar pelo sistema bancário tradicional.
Stablecoins são criptomoedas que buscam manter valor estável, geralmente atrelado a moedas como o dólar, o que facilita seu uso em transações e proteção contra volatilidade.
Ecossistema cripto cresce no Irã
Segundo Levin, o mercado de criptomoedas no Irã é estimado em US$ 7,8 bilhões e inclui mineração e uso de ativos digitais como meio de pagamento.
“Tanto a população quanto a Guarda Revolucionária iraniana usam cripto para evadir sanções. Além disso, o crime cibernético iraniano cresceu, com ataques de ransomware e outras operações”, afirmou.
Ransomware é um tipo de ataque em que dados são sequestrados e liberados apenas após pagamento, geralmente em criptomoedas.
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Coreia do Norte usa cripto para programas militares
A Coreia do Norte também aparece em relatórios sobre uso ilícito de criptoativos. Segundo Levin, hackers ligados ao grupo Lazarus foram responsáveis por um ataque de US$ 1,5 bilhão contra a corretora Bybit.
“Os recursos vão principalmente para programas militares, incluindo o nuclear, e capacidades balísticas”, disse.
De acordo com o executivo, os ataques envolvem técnicas como fragmentação dos valores roubados em múltiplas carteiras, o que dificulta o rastreamento.
IA reduz barreiras para crimes
Outro fator apontado é o avanço da inteligência artificial, que tem reduzido barreiras para fraudes. A prática conhecida como “fraud-as-a-service” envolve a venda de ferramentas ilegais na chamada “dark web”.
“Antes, seria necessário falar português para aplicar golpes no Brasil. Hoje isso não é mais o caso. Com IA, criminosos internacionais conseguem interagir em português”, afirmou Levin.
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Regulamentação e bancos podem conter riscos
Para enfrentar o problema, governos têm recorrido a empresas de análise blockchain. Segundo Levin, a Chainalysis atua com autoridades em mais de 60 países e ajudou a recuperar cerca de US$ 30 bilhões em ativos ligados a crimes.
O executivo afirma que a entrada de instituições tradicionais no setor pode elevar o nível de segurança. Ele citou empresas como Visa, Mastercard, JPMorgan Chase e Itaú Unibanco.
“Quando essas instituições entram no mercado, trazem estruturas robustas de cibersegurança”, disse.











