O Grupo Casas Bahia (BHIA3) anunciou o início de uma parceria comercial com a Amazon Brasil para ampliar a oferta de produtos no comércio eletrônico. A companhia também avalia uma volta ao Ibovespa, conforme aumenta a liquidez das ações.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a varejista informou que, assim como no acordo com o Mercado Livre em outubro do ano passado, seus produtos já estão disponíveis na plataforma da Amazon, ampliando a presença digital e a estratégia omnichannel — modelo que integra canais físicos e digitais de vendas.
Nesta segunda-feira (23), os papéis BHIA3 operam em forte alta de 4,71%, negociados a R$ 2,89, subindo em bloco com as demais ações do varejo.
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Parceria amplia canais de venda
O CEO da companhia, Renato Franklin, afirmou que a iniciativa faz parte da expansão da distribuição. “A entrada na Amazon é mais um passo na construção do maior player 1P omnicanal do Brasil. Estamos expandindo nossos canais de distribuição, mantendo o controle sobre sortimento, preço e a experiência do cliente, alavancando nossa logística como diferencial”, disse.
Já a presidente da Amazon no Brasil, Juliana Sztrajtman, relacionou a parceria à ampliação do portfólio. “Estamos unindo a tecnologia da Amazon com o portfólio que a Casas Bahia construiu no Brasil. Isso amplia o acesso dos consumidores aos produtos”, afirmou.
Em uma segunda etapa, a logística da Casas Bahia será integrada à rede da Amazon, permitindo que os produtos sejam elegíveis ao programa Prime, com entrega rápida e frete incluído para assinantes.
Franklin afirmou que a parceria com a Amazon tende a gerar crescimento adicional sem reduzir vendas nos canais próprios. “Monitoramos esse tipo de iniciativa e não houve canibalização. Pelo contrário, trouxe mais tráfego para os nossos canais”, disse.
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Segundo o CEO, os pedidos realizados pela Amazon serão atendidos pela estrutura logística da própria empresa. “É uma parceria que amplia a distribuição, com crescimento incremental e aproveitando a nossa logística”, afirmou.
CFO vê caminho para retorno ao Ibovespa
A companhia avalia que pode voltar ao Ibovespa à medida que aumenta a liquidez das ações. O diretor financeiro (CFO, na sigla em inglês), Elcio Ito, associou esse movimento à reestruturação de capital.
“A conversão de debêntures em ações deve ampliar o volume de papéis em circulação ao longo dos próximos meses”, afirmou. Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas que podem ser convertidos em ações, elevando o número de papéis disponíveis no mercado.
Segundo Ito, o processo pode adicionar cerca de R$ 1 bilhão ao valor de mercado em até um ano, além de aumentar o free float, que representa a parcela de ações disponíveis para negociação na bolsa.
Reforma tributária deve mudar o varejo
O CFO também avaliou impactos da reforma tributária sobre o setor. “A reforma vai chacoalhar as placas tectônicas do varejo”, disse durante o Investor Day.
Segundo Ito, a mudança tende a reduzir diferenças de preços entre lojas físicas e online. “Vamos ver uma aproximação maior de preços entre loja física e online”, afirmou.
O executivo também apontou mudanças na logística. “Hoje, o produto percorre caminhos mais longos por questões fiscais. Com a reforma, a lógica passa a ser econômica, focada em eficiência operacional”, disse.
Outro ponto é o impacto no capital de giro, com mecanismos como o split payment, que antecipa o recolhimento de tributos. Segundo Ito, a empresa possui cerca de R$ 3 bilhões em créditos tributários para mitigar efeitos no caixa.
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Casas Bahia Pay substitui banQi
A empresa também anunciou a unificação da operação financeira sob a marca Casas Bahia Pay, substituindo o banQi. O diretor de Soluções Financeiras, Vital Leite, relacionou a mudança à integração com o varejo.
“Mais do que uma mudança de nome, é a consolidação de um ecossistema financeiro integrado ao varejo”, afirmou.
Segundo o executivo, cerca de 24% das operações de crédito já passam pela plataforma. Em 2025, a companhia originou R$ 10,2 bilhões em crédito, com margem de 31%.











