Os mercados globais caminham para mais uma semana de volatilidade, após uma sequência de correções em ativos de risco em meio à guerra no Oriente Médio. O Ibovespa acumulou a quarta semana seguida de queda, movimento que também atingiu bolsas internacionais e ativos locais.
A avaliação é de Rodrigo Panuzzio, da Wiser | BTG Pactual, no novo episódio do podcast Perspectivas da Semana. Segundo ele, a intensificação dos conflitos alterou o comportamento dos mercados e interrompeu expectativas de queda da inflação global.
- Fale agora com a Clara, nossa atendente virtual, e tire suas dúvidas sobre investimentos e imóveis: Iniciar conversa
Para Panuzzio, o rumo das principais Bolsas dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio. “Tudo depende de como essa guerra vai se desenrolar”, afirmou. Confira a análise na íntegra:
Guerra impacta inflação e juros
Panuzzio relaciona o cenário geopolítico à alta de commodities estratégicas. “O fechamento do Estreito de Ormuz impacta petróleo e outros insumos, que são inflacionários”, afirmou.
O aumento dos preços dessas commodities tende a pressionar a inflação global. Isso ocorre porque energia e insumos básicos afetam custos de produção e transporte, com impacto em diversos setores da economia.
Esse movimento contraria a expectativa de desaceleração inflacionária após o período pós-pandemia, quando cadeias produtivas foram afetadas e os preços subiram.
- Seu investimento está REALMENTE protegido pelo FGC? Entenda de uma vez por todas aqui
Juros sobem e expectativas mudam
O cenário também altera as projeções para política monetária. Segundo o analista, houve mudança nas expectativas para os juros nos Estados Unidos, com aumento da probabilidade de manutenção ou até elevação das taxas.
Taxas de juros mais altas encarecem o crédito e tendem a reduzir o consumo e os investimentos, o que afeta o desempenho de ativos como ações.
No Brasil, a trajetória também foi revisada. A expectativa para a taxa básica de juros ao fim do ano subiu, refletindo o ambiente externo e os riscos inflacionários.
Durante períodos de incerteza, investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros. Segundo Panuzzio, o dólar voltou a ganhar força na última semana, enquanto o ouro apresentou correção.
“Em momentos de estresse, o fluxo migra para o dólar”, afirmou. Ele também observou que, em cenários de alta volatilidade, ativos podem perder correlação, ou seja, deixar de se comportar de forma semelhante.
Declarações de Trump mudam humor do mercado
O analista também destacou a reação imediata dos mercados a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesta segunda, por exemplo, o Ibovespa opera em disparada, assim como os principais índices de Wall Street.
Segundo Panuzzio, após sinais de possível trégua no conflito com o Irã, houve reversão nos mercados. “Juros americanos caíram, bolsas subiram e o petróleo recuou”, disse.
O episódio ilustra a sensibilidade dos ativos a eventos geopolíticos e à comunicação de autoridades.
- Toda grande decisão precisa de estratégia. Baixe o eBook gratuito de Guto Gioielli e aprenda a investir com método.
Agenda econômica no radar
Na semana, investidores acompanham indicadores relevantes. No Brasil, a divulgação do IPCA-15, prévia da inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será observada para avaliar impactos de combustíveis nos preços.
Também está no radar a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), sobre a reunião que definiu o primeiro corte na taxa de juros brasileira desde 2024.
Nos Estados Unidos, dados de atividade, como o PMI, ajudam a medir o ritmo da economia.











