A taxa de desemprego no Brasil subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, ante o período anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, 6,2 milhões de pessoas estavam em busca de trabalho, 600 mil a mais na comparação trimestral.
Apesar da alta, o resultado desta sexta-feira (27) trata-se da menor taxa para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012. Ao mesmo tempo, o rendimento médio real atingiu R$ 3.679, o maior valor já registrado.
A população ocupada foi estimada em 102,1 milhões de pessoas, com queda de 0,8% no trimestre, o equivalente a 874 mil postos a menos. Na comparação anual, houve alta de 1,5 milhão de ocupados.
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A redução foi concentrada em setores como administração pública, educação e saúde, que perderam 696 mil vagas, além da construção, com queda de 245 mil postos.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora do IBGE, o movimento é sazonal. “Há encerramento de contratos temporários no início do ano, especialmente no setor público”, explicou.
Informalidade e trabalho sem carteira recuam
O número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado caiu em 342 mil pessoas no trimestre, totalizando 13,3 milhões.
A taxa de informalidade também recuou levemente, passando de 37,7% para 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores. Já o número de contribuintes para a previdência chegou a 68,2 milhões, com taxa de contribuição de 66,8%.
A taxa composta de subutilização da força de trabalho — que inclui desempregados, subocupados e pessoas disponíveis para trabalhar — subiu de 13,5% para 14,1%. Isso representa 16,1 milhões de pessoas, um aumento de 675 mil no trimestre.
Renda segue em alta, apesar do desemprego maior, e sustenta consumo
O rendimento médio real cresceu 2% no trimestre e 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 3.679.
Segundo Beringuy, o avanço é explicado pela demanda por trabalhadores e pela formalização em setores como comércio e serviços.
Na prática, o aumento da renda ajuda a sustentar o consumo das famílias, mesmo com juros elevados.
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Mercado vê atividade resiliente, mas com moderação
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o mercado de trabalho segue operando em nível apertado. “A taxa de desemprego em mínima e a massa salarial em alta reforçam a resiliência da renda”, afirmou. Ele avalia que há sinais iniciais de acomodação, mas sem indicação de deterioração relevante.
Já Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, aponta efeitos mistos para a política monetária. Segundo ele, a queda na ocupação está alinhada ao esperado, mas a renda elevada mantém pressão sobre a inflação de serviços.
O comportamento do mercado de trabalho é acompanhado pelo Banco Central do Brasil, já que renda e emprego influenciam o consumo e a inflação.
Segundo o Daycoval, a taxa de desemprego deve encerrar 2026 em torno de 5,6%, indicando desaceleração gradual, mas ainda em nível considerado apertado.











