O preço recorde do petróleo, o balanço do primeiro ano de Joe Biden no comando dos Estados Unidos e um novo passo para a privatização da Eletrobras. A semana trouxe tudo isso e mais para movimentar a agenda dos investimentos.
Biden faz um ano à frente da Casa Branca
O presidente americano, Joe Biden, completou, nesta quinta-feira (20), seu primeiro ano de mandato. Doze meses após sua posse – ocasião em que prometeu buscar a unidade e restaurar a moderação em Washington – ele vê sua aprovação cair e as dificuldades econômicas aparecerem.
Depois de uma acirrada eleição, Biden iniciou seu mandato com mais de 56% de aprovação, tendo sido sufragado por mais de 80 milhões de americanos – número superior ao de qualquer um de seus antecessores.
Seus primeiros meses foram marcados por otimismo, após 200 milhões de doses de vacina contra a COVID-19 serem aplicadas em 100 dias do governo e um estímulo fiscal de US$ 1,9 trilhão ser aprovado, o maior desde a Grande Depressão, em 1929.
Entretanto, a contestada retirada das tropas americanas do Afeganistão e o avanço de novas cepas de coronavírus mudaram o panorama nos Estados Unidos.
Os indicadores de vacinação completa estão há meses estagnados em 63% da população e a disseminação das variantes Delta e Ômicron provocou recordes de casos e mortes. Entre os 852 mil americanos mortos pela pandemia, mais da metade foi no último ano.
Já a conjuntura econômica é, segundo os americanos, o principal problema que o país enfrenta. Apesar da redução no desemprego, outras turbulências se apresentam: indústrias sofrem com falta de mão de obra, os problemas das cadeias de abastecimento foram agravados nas últimas semanas e a inflação terminou 2021 como a maior desde 1980 — 7%.
Eletrobras marca assembleia para discutir privatização
Responsável por quase um terço da geração de energia do país, a Eletrobras marcou para dia 22 de fevereiro uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para discutir sobre a privatização da companhia.
Na assembleia serão votadas condições de desestatização da empresa, como sua reestruturação societária e a segregação de alguns ativos como Eletronuclear e Itaipu Binacional – que devem ser mantidos sob controle governamental.
Outros programas também devem seguir com a União, como o Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel), os projetos de revitalização da bacia do Rio São Francisco e o programa de redução de custos da energia elétrica na Amazônia Legal.
Prevista pelo governo para o fim deste ano, a privatização da Eletrobras ainda está sujeita à apreciação do Tribunal de Contas da União (TCU) e pode enfrentar obstáculos em função do ano eleitoral.
Petróleo na maior alta em sete anos
O petróleo atingiu seu maior valor no mercado internacional nos últimos sete anos. Com alta acumulada de 25% desde o fim de novembro de 2021, o barril do Brent, principal referência global, chegou a bater US$ 89,50 na quinta-feira (20).
A repentina valorização pode ser explicada por dois fatores associados. O primeiro deles é a decisão de países fornecedores e aliados da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), como a Rússia, de não aumentar sua produção e manter o atual nível de oferta da commodity.
Em adição, tensões geopolíticas têm se agravado em algumas regiões produtoras. No início da semana, a Rússia enviou militares ao sul de Belarus, próximo da fronteira com a Ucrânia, ao mesmo tempo em que um grupo rebelde do Iêmen matou três pessoas no aeroporto internacional de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, em um ataque com drones.
A disparada no preço do barril durante a retomada das atividades econômicas, da crescente demanda e do inverno no hemisfério norte, pressiona cada vez mais a inflação no mundo. O Goldman Sachs acredita que o Brent quebre a barreira de US$ 100 ainda em 2022.
Orçamento da CVM é o menor desde 2008
Em meio à incipiente recuperação do Ibovespa em 2022 e ao número cada vez maior de pessoas físicas investindo em ações (a bolsa chegou a 4 milhões de CPFs no fim do ano passado), o principal órgão regulador do mercado de capitais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sofreu um expressivo corte de verbas com o Orçamento aprovado pelo Congresso, que segue hoje para sanção presidencial.
Durante a tramitação do Orçamento para este ano, os recursos para a pasta de Paulo Guedes foram reduzidos em quase 60% – o maior contingenciamento entre todos os ministérios. Como consequência, as verbas dos órgãos vinculados ao Ministério da Economia também foram afetadas, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Receita Federal e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – a exceção foi o IBGE, cujos repasses não foram prejudicados por conta da realização do Censo.
Com a tesourada, a autarquia terá a menor quantidade de recursos a seu dispor nos últimos 13 anos: R$ 12,7 milhões, cifra 40% inferior ao valor repassado em 2021. O último concurso público realizado pela CVM foi em 2010. De lá para cá, servidores do BNDES e do Banco do Brasil têm sido importados para o preenchimento de vagas não ocupadas.
De acordo com antigos diretores e presidentes da comissão, caso o orçamento não seja recomposto, existe o risco de enfraquecimento dos trabalhos da autarquia ou até mesmo paralisação das atividades.
Doutor em Direito Econômico e ex-diretor da CVM, Otávio Yazbek, classificou como “muito graves” os cortes impostos e disse que uma possível interrupção do órgão vai na contramão do crescimento que o mercado de capitais brasileiro teve nos últimos anos.
Microsoft paga US$ 68,7 bilhões pela Activision Blizzard
A Microsoft anunciou na terça-feira (18), a maior aquisição de sua história: a compra da produtora de videogames Activision Blizzard, dona de marcas como Call of Duty e Candy Crush, por US$ 68,7 bilhões (R$ 376 bilhões).
Trata-se do maior negócio da história da indústria de games, e posiciona a empresa americana como terceira maior companhia de jogos do mundo, ficando atrás da chinesa Tencent e da japonesa Sony.
A transação também insere a Microsoft em um dos segmentos mais lucrativos e que mais crescem no mercado de jogos: o do desenvolvimento para dispositivos móveis.
De acordo com Satya Nadella, diretor executivo da empresa, a experiência em smartphones deve ser cada vez mais levada em consideração no design e planejamento de games.
Esta não foi a primeira grande negociação do ano no mundo dos games. Na semana passada, a Take-Two, empresa por trás de GTA (Grand Theft Auto) e Red Dead Redemption, adquiriu a Zynga, voltada para jogos em celulares, por US$ 12,7 bilhões (R$ 72,14 bilhões).
Aliás, entre todos os segmentos do entretenimento, o mercado de games tem despertado mais atenção e dinheiro do que o de filmes e músicas. De acordo com dados da Accenture, as cifras movimentadas pelo setor já chegam a US$ 300 bilhões ao ano.
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