A temporada de balanços do quarto trimestre termina com as empresas — excluindo Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) — registrando uma desaceleração no crescimento da receita. Segundo relatório divulgado pelo BTG Pactual nesta terça-feira (31), a expansão anual foi de 5,4%, ritmo inferior aos 10% do terceiro trimestre.
A análise aponta que as taxas de juros elevadas afetaram a atividade econômica e o consumo, prejudicando os balanços das empresas. Qualitativamente, o BTG observou uma deterioração em relação ao trimestre anterior, com a diferença entre resultados considerados “fortes” e “fracos” diminuindo para 6 pontos percentuais.
Apesar da receita positiva, o lucro líquido consolidado ficou 14,8% abaixo do esperado. Segundo o banco, esse desvio foi causado principalmente pelo desempenho das empresas de commodities (produtos básicos de baixo valor agregado, como petróleo e minério de ferro) e pelo prejuízo de R$ 10 bilhões registrado pela Braskem (BRKM5) no período.
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O relatório indica também que, excluindo Petrobras e Vale, os números consolidados de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficaram 2% acima das projeções do banco.
Destaques entre setores na temporada de balanços
O setor de Alimentos & Bebidas teve o maior crescimento nominal de receita (+5,3%; +R$ 10,8 bilhões), impulsionado por preços mais altos do gado no Brasil e nos EUA ao longo do último ano, o que beneficiou empresas como JBS (JBSS3) e Minerva.
No caso da JBS, os volumes mais fortes na operação brasileira de carne bovina amplificaram ainda mais esse efeito.
Imobiliário
No setor imobiliário, a receita cresceu 22% na comparação anual, aumento de R$ 3 bilhões. Empresas voltadas para a baixa renda mantiveram desempenhos sólidos, com destaque para a Cyrela (CYRE3) e a Moura Dubeux (MDNE3), esta última com crescimento de 92% na receita líquida devido ao reconhecimento de taxas de novos projetos.
“De modo geral, o trimestre reforçou o ímpeto ainda saudável da receita do setor, com métricas operacionais permanecendo sólidas tanto nos segmentos de média/alta renda quanto nos de baixa renda”, disseram os analistas no relatório.
Saúde
O setor de Saúde também apresentou crescimento de 54% nos lucros. A Hypera (HYPE3) foi citada como destaque positivo após otimizar seu capital de giro (recursos necessários para financiar as operações diárias da empresa).
Bens de Capital
O setor de Bens de Capital registrou queda de 15% no lucro líquido. Por serem empresas cíclicas — aquelas cujo desempenho depende fortemente do momento da economia —, elas sofreram com a demanda fraca e com a dificuldade de absorver custos fixos diante de juros altos.
Varejo
No varejo, houve crescimento de 7,9% na receita. O BTG ressaltou a recuperação da Natura (NATU3), que apresentou lucro líquido ajustado de R$ 186 milhões, revertendo prejuízo do ano anterior, devido ao controle de despesas e ganho de margens.
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Papel & Celulose
Por outro lado, o setor de Papel & Celulose foi um dos que ficaram para trás, principalmente devido à Suzano (SUZB3), que registrou um EBITDA muito mais fraco, já que os desafios cambiais e os preços mais baixos continuaram a pesar nos resultados, mesmo com volumes mais fortes e custos caixa maiores.
“Ainda assim, o trimestre mostrou uma execução operacional sólida, com maiores remessas de papel e celulose, geração resiliente de caixa livre (FCF) e um EBITDA ainda saudável de R$ 5,6 bilhões, sugerindo que a principal pressão veio muito mais do contexto macroeconômico do que da execução específica da empresa”, disseram.
Perspectivas do BTG Pactual para balanços em 2026
O BTG Pactual projeta que a tendência de resultados pressionados continue no primeiro trimestre de 2026. Contudo, o banco prevê uma reaceleração da economia a partir do meio do ano.
Essa previsão baseia-se na expectativa de cortes nas taxas de juros (projeção de redução de 250 pontos-base em 2026) e em medidas governamentais de estímulo, como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e programas de transferência de renda.











