A Hapvida (HAPV3) anunciou a saída de seu CEO, Jorge Pinheiro, após 27 anos no cargo, que passará a integrar o conselho de administração. A mudança ocorre poucos dias após a divulgação de uma carta da Squadra Investimentos, acionista da companhia, com críticas à gestão e à destruição de valor desde o IPO.
A transição será formalizada na próxima reunião do conselho. Em seu lugar, assumirá Luccas Augusto Adib, que, segundo a companhia, está alinhado com a busca por novas competências para o próximo ciclo.
A estratégia inclui ampliar o uso de tecnologia e dados para digitalizar processos, padronizar práticas médicas e melhorar o atendimento. Esse movimento faz parte da tentativa de elevar a eficiência operacional, ou seja, reduzir custos e melhorar a produtividade da operação.
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Expansão e desafios recentes
Pinheiro comandava a empresa desde 2000, quando a operadora tinha cerca de 100 mil beneficiários. Ao longo do período, a companhia cresceu por meio de aquisições e integração de ativos, estratégia comum no setor de saúde suplementar.
Nos últimos anos, esse processo de integração pressionou os resultados. A empresa também enfrentou desafios financeiros, com desempenho abaixo do esperado.
A própria companhia afirma que concluiu as principais integrações e inicia 2026 com foco em melhorar a rentabilidade, que mede a capacidade de gerar lucro.
Pressão de acionistas e governança
A mudança ocorre após a Squadra Investimentos, dona de 6,98% do capital votante, divulgar carta criticando a gestão. A gestora apontou queda de cerca de 85% nas ações desde o IPO, enquanto o Ibovespa subiu no mesmo período.
A carta também questiona práticas de governança, especialmente o alinhamento entre remuneração do conselho e geração de valor para os acionistas. Esse desalinhamento ocorre quando os incentivos pagos à gestão não refletem o desempenho financeiro da empresa.
Em paralelo, a companhia reapresentou o boletim de voto à distância para a assembleia de 30 de abril, incluindo novos candidatos ao conselho indicados por acionistas ligados à Squadra.
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Em publicação no LinkedIn, o vice-presidente de inovação da Benner, Marcelo Murilo, reforçou um dos trechos que a Squadra utilizou na carta publicada na última quarta-feira (1º) para o antigo CEO: “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro.”
Entre os pontos que explicam a frase estão:
- Queda de 85% dos papéis HAPV3 desde o IPO em abril de 2018
- Alta de 120% do Ibovespa no mesmo período
- Queda do valor de mercado de ~R$ 85 bilhões para ~R$ 5 bilhões
- Prejuízo líquido GAAP de R$ 237,6 milhões em 2025, revertendo lucro do ano anterior
- EBITDA do 4º trimestre de 2025 caiu 32,8%
- 5 dos 7 executivos-chave deixaram a empresa nos últimos 3 anos
Foco em dívida e desinvestimentos
Entre as prioridades do conselho estão a redução da alavancagem e a recuperação da rentabilidade. Para isso, a Hapvida avalia vender ativos considerados não estratégicos e manter foco nas operações principais.
A empresa afirma que mantém o compromisso de ampliar o acesso à saúde, alinhado à estratégia de longo prazo desde sua fundação.











