O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta terça-feira (7) com leve alta de 0,05%, aos 188.258,91 pontos, ampliando para seis pregões consecutivos sua sequência positiva, apesar da forte aversão ao risco, refletindo a escalada de tensões após o ultimato dos Estados Unidos ao Irã.
O humor dos investidores só melhorou na reta final do pregão, com uma recuperação parcial impulsionada por relatos de que os dois países avaliavam uma proposta de cessar-fogo, mediada pelo Paquistão.
Entre os destaques do dia, as ações da Petrobras inverteram o sinal ao longo da sessão e fecharam em queda de 0,28% (ON) e de 0,88% (PN) acompanhando o recuo do Brent no mercado internacional. Na ponta positiva, a Vale avançou 0,72% e ajudou a limitar as perdas do índice.
Já os grandes bancos tiveram desempenho misto, com variações que foram de queda de 0,97% nas units do Santander Brasil à valorização de 0,87% das ações do BTG Pactual.
Entre as maiores altas do dia, destaque para Braskem (+7,26%) e Rumo (+2,95%), enquanto a MRV liderou as perdas, com queda de 9,45%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em leve alta de 0,17% frente ao real, cotado a R$ 5,15, acompanhando a redução da percepção de risco no exterior.
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No cenário internacional, o acordo por um cessar-fogo temporário de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, mediado pelo Paquistão na noite desta terça-feira, impulsiona os mercados globais e faz os contratos futuros de petróleo serem negociados abaixo de US$ 95 o barril nesta manhã.
Os índices futuros de NY valorizam acerca de 3% a 4%, enquanto na Ásia os índices do Japão e da Coreia do Sul registraram alta superior a 5% na sessão e agora os mercados europeus disparam impulsionados pelo cessar-fogo, com desempenho que supera 5% de alta.
O Irã elevou o tom diplomático e enviou aos Estados Unidos uma proposta de 10 pontos para encerrar o conflito no Oriente Médio. O documento, classificado como “uma base viável para negociação” pelo presidente Donald Trump, sinaliza um possível avanço rumo a um acordo mais amplo de paz.
Embora o conteúdo completo não tenha sido divulgado oficialmente, detalhes revelados pelo Conselho de Segurança Nacional do Irã à mídia estatal — e repercutidos pela Al Jazeera — indicam exigências duras. Entre elas, o controle do tráfego no Estreito de Ormuz sob coordenação iraniana, a retirada total das forças militares americanas da região, a criação de um protocolo de trânsito que assegure a supremacia do Irã na rota marítima e o pagamento de indenizações pelos danos causados durante o conflito.
Outro ponto sensível da proposta prevê a continuidade do enriquecimento de urânio pelo Irã — tema central das tensões com Washington. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as negociações estão “muito avançadas” e apontou o plano iraniano como um possível caminho para um acordo definitivo de paz no Oriente Médio.
Do lado iraniano, o Conselho Supremo de Segurança Nacional confirmou o cessar-fogo temporário e a reabertura do Estreito de Ormuz por duas semanas, classificando o movimento como “uma vitória”. O comunicado também destaca o aval do novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, e indica que as negociações por um acordo permanente terão início na sexta-feira, em Islamabad, no Paquistão.
No Brasil, os desdobramentos do conflito já provocam impactos econômicos. O governo ampliou subsídios ao combustível, incluindo um incentivo de R$ 1,20 por litro para produtos importados. Ainda assim, analistas avaliam que a medida não elimina totalmente a defasagem em relação aos preços internacionais, mantendo baixa a atratividade para importadores independentes.
A incerteza operacional também preocupa o setor. Há dúvidas sobre prazos de ressarcimento e divisão de custos, o que tem travado decisões logísticas, como a liberação de cargas.
No campo macroeconômico, especialistas questionam o impacto fiscal das medidas. Apesar da defesa de neutralidade por parte do governo, há incertezas sobre a compensação via aumento de receitas e o risco de que os subsídios não sejam integralmente repassados ao consumidor final.
Outro ponto de atenção recai sobre a Petrobras, que já opera com defasagens nos preços domésticos. A avaliação é de que eventuais ajustes podem ocorrer de forma gradual, aumentando a incerteza sobre os efeitos financeiros para a estatal.
Para especialistas, intervenções diretas no mercado de combustíveis podem distorcer a formação de preços e elevar o risco de desorganização da oferta, especialmente em um cenário global ainda marcado por volatilidade e tensões geopolíticas.
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Manchetes desta manhã
- Trump diz que vai taxar em 50% país que fornecer armas militares ao Irã (Valor)
- Pagamentos declarados pelo Master a escritório de mulher de Moraes somaram R$ 80 mi em dois anos (Folha)
- Master contratou mulher e filho de desembargador para receber precatórios expedidos antes da hora (Estadão)
- Produção de etanol no Brasil deve saltar 16% na próxima safra ( O Globo)
- Fusões e aquisições têm o melhor trimestre desde 2021 e atraem estrangeiros (Valor)
Mercado global acumula ganhos após cessar-fogo
As bolsas da Europa disparam impulsionadas pelo cessar-fogo temporário entre EUA e Irã, que viabiliza a reabertura do Estreito de Ormuz e derruba o petróleo, favorecendo principalmente ações de viagens, indústria e bancos, que seguem como destaques positivos da sessão.
Na Ásia, os mercados encerraram a sessão desta quarta-feira em forte alta, impulsionadas pelo cessar-fogo entre EUA e Irã, com Japão e Coreia do Sul liderando com ganhos acima de 5%.
O setor de tecnologia também favoreceu o desempenho dos índices, após projeções robustas da Samsung para o primeiro trimestre.
Em Nova York, os índices futuros abriram em forte alta, enquanto o petróleo volta a ser negociado abaixo de US$ 100 o barril, com alívio geopolítico após o acordo de cessar-fogo temporário entre EUA e Irã e reabertura do Estreito de Ormuz.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +2,65%
- FTSE 100: +2,97%
- CAC 40: +4,61%
- Nikkei 225: +5,39%
- Hang Seng: +3,09%
- Shanghai SE Comp: +2,69%
- Ouro (abr): +2,97%, a US$ 4.824,0 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -1%, aos 98,860 pontos
- Bitcoin: +4,29% a US$ 71.679,64
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Commodities
- Petróleo: os contratos futuros registram forte queda nesta quarta-feira, passando a ser negociados abaixo de US$ 95 por barril, após o anúncio de um cessar-fogo inicial de duas semanas entre EUA e Irã. O acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, permitindo a normalização do fluxo da commodity pela principal rota marítima global.
O Brent/junho despenca 14,10%, cotado a US$ 93,86 e o o WTI/maio derrete 16,40%, a US$ 94,43. - Minério de ferro: fechou em forte queda de 1,35% em Dalian, na China, cotado a US$ 112,24/ton. Preços da commodity recuam diante da deterioração das perspectivas de demanda, com analistas projetando enfraquecimento do consumo na China.
O movimento reflete a crise persistente no setor imobiliário, estímulos insuficientes via infraestrutura e consumo, além do aumento de medidas antidumping e barreiras comerciais, que podem limitar as exportações chinesas e pressionar ainda mais a demanda.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda concentra as atenções na divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), prevista para as 15h. O documento deve trazer mais clareza sobre como o comitê avaliou os impactos da guerra no Oriente Médio, a disparada do petróleo e os próximos passos da política monetária americana.
Antes disso, o mercado monitora o discurso de Mary Daly, às 14h, em busca de pistas adicionais sobre os juros nos EUA.
No pano de fundo, o cenário geopolítico segue pressionando expectativas. Analistas do UBS avaliam que a normalização da produção de petróleo será gradual, mantendo os preços elevados por mais tempo. Já o Bank of America projeta repasse dessa alta ao consumidor, o que aumenta a sensibilidade do mercado aos próximos dados de inflação: o PCE, que sai amanhã, e o CPI, previsto para sexta-feira.
Esse viés inflacionário já começa a aparecer nas expectativas. Pesquisa do Federal Reserve Bank of New York mostrou que as projeções medianas de inflação para 1 e 3 anos subiram para 3,4% e 3,1% em março, puxadas principalmente pela alta esperada nos preços da gasolina.
No mesmo sentido, o Department of Energy elevou suas estimativas para o petróleo Brent, projetando média de US$ 96 por barril em 2026, enquanto a OPEC reportou uma queda de 25% na produção em março — a maior em décadas.
Na Europa, o destaque fica para as encomendas à indústria da Alemanha, termômetro relevante da atividade no bloco.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda doméstica inclui a divulgação do IGP-DI de março, do IC-Br e do fluxo cambial semanal pelo Banco Central.
No setor de energia, distribuidoras de gás projetam aumento de até 20% nos contratos com a Petrobras a partir de maio, podendo chegar a 35% em agosto, segundo estimativas da Abegás.
No campo fiscal, o governo avança na formulação de um pacote para enfrentar o alto endividamento das famílias, ainda sem cronograma definido. O ministro da Fazenda Dario Durigan já apresentou as diretrizes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicando que o anúncio pode ocorrer nos próximos dias.
A proposta deve envolver um amplo programa de renegociação de dívidas, abrangendo desde pessoas físicas até MEIs e pequenas empresas, com mecanismos para evitar o chamado “ciclo de reendividamento”. Entre as medidas em estudo, estão restrições ao acesso a determinadas linhas de crédito após renegociações.
Outro ponto sensível em discussão é o possível uso de recursos do FGTS para viabilizar o programa. A medida ainda passa por análise interministerial, diante de preocupações com a sustentabilidade do fundo, embora haja sinalizações iniciais favoráveis dentro do governo.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: descartou necessidade de importar diesel em maio, já que tem produção suficiente para atender mercado, após adiar parada programada e operar refinarias com alta utilização, informa o Broadcast.
- PetroReconcavo / SPE Tiêta: ajustaram contratos com a Petrobras, movimento que pode indicar reprecificação de condições comerciais no setor de óleo e gás. Os termos dos aditivos não foram divulgados.
- B3: Alexandre Bettamio, do Bank of America, está entre os candidatos considerados para o cargo de CEO. A Bolsa também avalia nomes internos, como Luiz Masagão, segundo a Bloomberg .
- Natura: esclareceu que o fundo Lotus, da Advent, ainda não é acionista da companhia, embora siga vigente o compromisso de adquirir até 10% do capital em até seis meses.
- Sabesp: corrigiu de R$ 2,5677 para R$ 2,6438 o valor por ação dos JCP declarados em dezembro e de R$0,8333 para R$ 0,8334 o valor por papel dos JCP declarados em março, sem alteração do valor total.
- Hapvida: reapresentou o boletim de voto a distância para a AGOE de 30 de abril, após solicitação da Squadra, que indicou Tania Sztamfater Chocolat, Bruno Magalhães e Silva e Eduardo Parente Menezespara o conselho.
- Odontoprev: iniciou o prazo para exercício do direito de retirada a R$ 12,39 por ação, após aprovação da incorporação das ações da Bradesco Gestão de Saúde. O período termina em 7 de maio.











