A inflação dos Estados Unidos, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI), aumentou 0,9% em março, na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados pelo Escritório de Estatísticas do Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (10).
Esse foi o maior aumento mensal desde junho de 2022, período em que a inflação reagiu à guerra entre Rússia e Ucrânia. Desta vez, o avanço foi influenciado pelos efeitos do conflito no Oriente Médio, especialmente sobre os preços de energia.
No acumulado em 12 meses, o CPI subiu 3,3% em março, acelerando em relação aos 2,4% registrados em fevereiro.
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Custos de energia impulsionam inflação dos EUA
O grupo de energia liderou a pressão inflacionária, com alta de 10,9% em março, após avanço de 0,6% no mês anterior. Dentro dessa categoria, o índice da gasolina subiu 21,2%, sendo responsável por quase três quartos da alta do índice cheio.
O movimento acompanha a elevação superior a 30% nos preços globais do petróleo, em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Como consequência, o preço médio da gasolina no varejo superou US$ 4 por galão pela primeira vez em mais de três anos.
O aumento observado em março reflete, principalmente, os efeitos imediatos do choque nos preços do petróleo, que também impactou o custo do diesel.
Na visão de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, “assim como os preços de combustíveis sobem muito rápido nos EUA, se as coisas normalizarem um pouco, no mês de abril vai reduzir de forma mais relevante”.
O conflito no Oriente Médio, no entanto, não muda a perspectiva para os juros norte-americanos, avalia Cruz. Nos últimos meses, a ferramenta FedWatch, do CME Group, já projetava um corte nas taxas somente em 2027.
“Eles não vão mudar a sua decisão de juros só com base em março. Acredito que, com o acordo, a negociação deve ser postergada, ou seja, já distensionou bastante. Imagino que eles vão preferir aguardar”, completou.
Inflação dos alimentos fica estável, mas moradia segue em alta
Os preços de alimentos ficaram estáveis em março, após registrarem alta de 0,4% no mês anterior. Já o índice de moradia, que também tem peso relevante no cálculo da inflação, subiu 0,3% no período.
Na comparação anual, os preços de energia acumulam alta de 12,5%, enquanto os alimentos registram avanço de 2,7%.
Núcleo da inflação fica abaixo do esperado
O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,2% em março, repetindo o ritmo de fevereiro e abaixo da projeção do mercado, de 0,3%.
Em 12 meses, o núcleo avançou 2,6%, após alta de 2,5% em fevereiro, e abaixo do consenso de alta de 2,7%.
Entre os itens que tiveram aumento no mês estão passagens aéreas, vestuário, móveis e itens para o lar, educação e veículos novos. Por outro lado, houve queda nos índices de cuidados médicos, cuidados pessoais e carros usados.
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Mercado de trabalho resiliente e riscos no consumo
A aceleração da inflação ocorre após uma recuperação mais intensa do crescimento do emprego, indicando que o mercado de trabalho segue estável.
Ainda assim, há preocupações de que um conflito prolongado no Oriente Médio possa afetar esse cenário. Caso os preços elevados persistam, famílias podem reduzir gastos, o que tende a impactar a atividade econômica.











