O dólar opera em forte queda (-0,71%) nesta sexta-feira (10), cotado a R$ 5,02 às 15h15. Na mínima do dia, a moeda chegou a ser negociada no mercado à vista por R$ 5 (-1,06%). A valorização da moeda brasileira reflete uma combinação de fatores externos e internos, segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Em análise enviada ao Monitor do Mercado, o estrategista afirma que um dos principais vetores para a queda da moeda norte-americana é a redução da exposição de investidores globais nos Estados Unidos. O movimento ocorre devido ao valuation considerado elevado no mercado americano.
Investidores estão diversificando portfólios para outros mercados, como Europa, Japão e países emergentes, incluindo o Brasil. Essa migração de capital aumenta a oferta de dólares no mercado brasileiro, pressionando a cotação para baixo.
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Vantagem competitiva do Brasil no setor de petróleo influencia no dólar
O cenário geopolítico também contribui para o desempenho do real. Conflitos no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz impactaram negativamente nações do Sudeste Asiático que dependem da importação de energia.
Diferente de países como Indonésia e Vietnã, o Brasil é um produtor de petróleo. A alta nos preços da commodity gera um bônus para a atividade econômica e para a balança comercial. O impacto inflacionário local é considerado menor em comparação a outros mercados emergentes.
“Dentro do universo de emergentes, o Brasil acaba se saindo relativamente bem ou ‘menos pior’ do que países como Indonésia, Camboja, Vietnã, Malásia, Bangladesh, Laos, Coreia do Sul, China e Índia. Todos eles são mais prejudicados do que nós”, avalia Castro Alves.
Atração por taxas de juros elevadas
Mesmo com o início do ciclo de cortes de juros no Brasil, a redução de 0,25 ponto percentual não impacta drasticamente, e a Selic em 14,75% é o terceiro fator apontado pela análise. O país oferece um yield — rendimento gerado por um investimento em um determinado período — atrativo para o capital estrangeiro.
Esse cenário estimula a entrada de investidores que buscam rentabilidade em ativos de renda fixa, o que fortalece a moeda nacional frente ao dólar.
Para o estrategista-chefe da Avenue, o desempenho do dólar e as razões apresentadas explicam mais por que o real está performando bem do que o dólar caindo. “O ponto de ressalva que eu faço, olhando para os investidores brasileiros, é lembrar das doenças econômicas e do risco que o Brasil representa”, complementa.
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Riscos fiscais e janela de oportunidade para o investidor
Apesar da valorização do real, o estrategista ressalta que o movimento é conjectural, ou seja, depende das circunstâncias atuais e não representa uma mudança permanente na estrutura econômica.
Entre os riscos citados estão a proximidade das eleições presidenciais, daqui a seis meses, e as incertezas sobre o risco fiscal — a possibilidade de o governo não cumprir suas metas de gastos e aumentar o endividamento público.
A análise indica que o patamar atual do câmbio representa uma oportunidade para o investidor brasileiro aumentar sua diversificação internacional. Historicamente, o dólar funciona como um refúgio em momentos de crise global.
A recomendação para quem possui pouca exposição em moeda estrangeira é aproveitar o câmbio atrativo para dolarizar parte da carteira de investimentos, mantendo uma visão de longo prazo.











