O mercado financeiro segue reagindo aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, mas com menor intensidade em relação às semanas anteriores. Após dias marcados por expectativa de acordo, a frustração nas negociações entre Estados Unidos e Irã trouxe nova rodada de volatilidade, com alta do petróleo e ajuste nos ativos.
A avaliação é de Rodrigo Panuzzio, especialista em renda variável da Wiser | BTG Pactual, no novo episódio do podcast Perspectivas da Semana. Segundo ele, o comportamento recente indica que os investidores começam a incorporar o risco geopolítico aos preços, reduzindo a sensibilidade a novos eventos.
Na semana anterior, a sinalização de avanço nas negociações levou a uma forte valorização dos ativos de risco. O Ibovespa chegou a subir próximo de 5%, aos 197 mil pontos, enquanto o S&P 500 avançou cerca de 3%. Ao mesmo tempo, houve queda dos juros e do dólar para o menor patamar em dois anos, refletindo a redução da percepção de risco global.
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Confira a análise na íntegra:
Negociações frustradas elevam tensão
O cenário mudou após o fim de semana, quando as negociações entre Estados Unidos e Irã não avançaram. Entre os pontos de impasse estão o controle do Estreito de Ormuz e questões relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Sem acordo, o governo americano voltou a restringir a navegação na região, o que traz o risco de interrupções no fluxo de petróleo. Esse movimento pressionou a commodity para cima e trouxe cautela aos mercados.
Apesar disso, Panuzzio observa que a reação atual é mais contida. O Ibovespa futuro recua, mas sem movimentos amplos, enquanto os juros sobem de forma moderada. Para o analista, isso indica que o mercado já começa a tratar o conflito como um fator recorrente, com menor impacto marginal sobre os preços.
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Petróleo segue no centro das atenções da guerra
O petróleo continua sendo o principal canal de transmissão da crise para a economia global. A commodity influencia diretamente a inflação, ao impactar custos de combustíveis, transporte e produção.
Esse efeito também se reflete nos juros. Quando há pressão inflacionária, bancos centrais tendem a manter taxas mais elevadas por mais tempo. Juros mais altos encarecem o crédito e podem desacelerar a atividade econômica.
Agenda econômica
Além do cenário geopolítico, os investidores acompanham uma agenda relevante de indicadores econômicos ao longo da semana. Entre os destaques estão dados de inflação ao produtor (PPI) nos Estados Unidos e ao consumidor (CPI) na Zona do Euro, além de números de atividade, como vendas no varejo e produção industrial, no Brasil.
Esses indicadores ajudam a medir o impacto do petróleo sobre a inflação e o crescimento, influenciando decisões de política monetária. No caso dos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve nas próximas reuniões.











