O agronegócio de São Paulo registrou superávit de US$ 4,49 bilhões no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por exportações de US$ 6,03 bilhões e importações de US$ 1,54 bilhão. O setor respondeu por 38,5% das vendas externas do estado no período.
O desempenho da balança comercial local indica que o agro segue como um dos principais vetores do comércio exterior paulista. A China manteve a liderança como principal destino das exportações, com 23,6% de participação. Na sequência estão:
- União Europeia (15,8%)
- Estados Unidos (9,4%)
Segundo Carlos Nabil Ghobril, diretor da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) — órgão responsável por coordenar as atividades de pesquisa científica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo —, “a China liderava como principal importadora, mas neste primeiro trimestre o país não aparece nem entre os cinco maiores destinos. Em contraste, a Índia assumiu a liderança como principal importadora”, disse.
Nabil complementa afirmando que esse movimento evidencia uma mudança relevante nos mercados compradores de açúcar, que é um dos principais produtos brasileiros.
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Açúcar, carnes e celulose lideram exportações
O complexo sucroalcooleiro concentrou 25,6% das exportações do agro paulista, com US$ 1,5 bilhão. Desse total, o açúcar respondeu por 95,3%, enquanto o etanol representou 4,7%.
Na sequência, o setor de carnes somou US$ 972 milhões (16,1%), com predominância da carne bovina. Produtos florestais, como celulose e papel, atingiram US$ 837 milhões (13,9%).
Também se destacaram os sucos, com US$ 534 milhões (8,9%), majoritariamente de laranja, e o complexo soja, com US$ 504 milhões (8,4%). O café aparece na sexta posição, com US$ 418 milhões (6,9%).
Esses seis grupos concentraram a maior parte da pauta exportadora, refletindo a diversificação do agro paulista.
Variação reflete preços e volumes
Na comparação anual, houve aumento nas receitas de produtos florestais (+10,3%) e carnes (+9,5%). Por outro lado, caíram as vendas de sucos (-41,2%), soja (-10,8%), sucroalcooleiro (-14,2%) e café (-10,2%).
Essas variações combinam mudanças nos preços internacionais e nos volumes embarcados, fatores que influenciam diretamente o resultado da balança comercial.
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Tensões no Oriente Médio impactam embarques no agro paulista
As exportações paulistas para o Oriente Médio recuaram 17,5% em março na comparação anual. As vendas para o Irã caíram 8,5% no acumulado do trimestre.
A retração ocorre em meio a tensões geopolíticas na região, que afetam rotas logísticas e fluxos comerciais. Apesar disso, o impacto foi pontual e não comprometeu o resultado geral do agronegócio paulista.
No cenário nacional, São Paulo ocupa a segunda posição no ranking de exportações do agro, com 15,8% de participação, atrás de Mato Grosso.











