Após sucessivos recordes de fechamento, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta quinta-feira (16) com realização de lucros e baixa de 0,46%, aos 196.818,60 pontos, sem força para sustentar a busca pelos 200 mil pontos.
Entre os destaques do Ibovespa, as ações da Petrobras registram forte alta de 4,21% (ON) e 3,33% (PN), favorecidas pela alta do petróleo no mercado internacional. Já a Vale fechou em queda de 1,27%, aumentando a pressão sobre o índice.
No setor financeiro, o desempenho foi misto, com destaque para o Banco do Brasil, que fechou em queda de 1,11% (ON) e para o Bradesco, cujas ações tiveram valorização de 0,53% (PN). No ranking geral, as empresas do setor de energia lideraram as maiores altas, com destaque para Petrobras, Prio (+1,91%) e Braskem (+1,3%). Do lado oposto, Assaí registrou a maior perda do dia, com desvalorização de 7,87%.
No câmbio, o dólar quebrou o jejum de cinco quedas seguidas e fechou com leve alta de 0,01% frente ao real, cotado a R$ 4,99, em um ambiente de liquidez reduzida.
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No cenário internacional, o anúncio de um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano trouxe alívio momentâneo aos mercados, mas está longe de alterar o rumo do conflito no Oriente Médio. Em vigor desde esta quinta-feira, a trégua foi mediada pelos Estados Unidos dentro de um acordo mais amplo envolvendo o Irã, com intermediação do Paquistão, e abre espaço para negociações, ainda que cercadas de incertezas.
Analistas avaliam que o movimento tem caráter mais tático do que estrutural. O acordo prevê possibilidade de extensão, mas já há sinais de que as tratativas podem se arrastar por meses. Do lado iraniano, apesar do apoio formal ao cessar-fogo, Teerã voltou a exigir concessões prévias de Washington e demonstrou desconfiança quanto à condução do processo.
A ausência de uma data para a próxima rodada de negociações reforça a leitura de que o avanço diplomático deve demorar. Mesmo com declarações otimistas de Donald Trump, indicando “progresso” e a possibilidade de um acordo próximo, o mercado reage com cautela. O tom contraditório do próprio presidente, que admite a possibilidade de retomada dos combates, contribui para o ceticismo.
No Brasil, o governo reagiu ao cenário externo adverso com medidas para proteger a atividade econômica. O Conselho Monetário Nacional aprovou, em reunião extraordinária nesta quinta-feira, novas linhas de crédito dentro do Plano Brasil Soberano, voltadas a sustentar exportações em meio à volatilidade global.
O pacote, de R$ 15 bilhões e operado pelo BNDES, mira empresas impactadas por tarifas dos Estados Unidos, setores estratégicos da indústria e exportadores com exposição ao Oriente Médio. A iniciativa busca garantir liquidez, preservar investimentos e evitar que os efeitos da crise geopolítica contaminem a economia doméstica.
Com condições consideradas atrativas, como juros entre 2% e 8% ao ano, prazos de até cinco anos para capital de giro e até vinte anos para investimentos, o programa reforça o papel do crédito público como instrumento de estabilização em momentos de choque externo. A expectativa é que as linhas comecem a operar em até 30 dias.
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Manchetes desta manhã
- Compra de ações do BRB por ‘laranjas’ do Master fazia parte de esquema fraudulento (Valor)
- FMI e Banco Mundial restabelecem relações com Venezuela (Folha)
- Tesouro aponta desequilíbrio futuro com passivo previdenciário de R$ 1,6 trilhão (Estadão)
- Ações despencam, e fundador da Netflix anuncia saída da empresa (O Globo)
- Novo programa do governo prevê renegociar R$ 140 bi em dívidas (O Globo)
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Mercado global opera com cautela diante das incertezas sobre negociações entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam mistas, com investidores cautelosos diante das incertezas sobre novas negociações de paz no Oriente Médio.
Na Ásia, os índices encerraram a semana com realização de lucros, mesmo com otimismo sobre possível avanço nas negociações de paz entre EUA e Irã e o cessar-fogo entre Israel e Líbano.
O movimento foi limitado pelos resultados fortes da TSMC, que elevou a confiança no setor ao registrar lucro trimestral recorde.
Em Nova York, os índices futuros sobem após Donald Trump afirmar que o conflito no Irã pode terminar em breve, além do cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano, o que ajudou a melhorar o sentimento do mercado.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,19%
- FTSE 100: -0,35%
- CAC 40: +0,31%
- Nikkei 225: -1,75%
- Hang Seng:-0,89%
- Shanghai SE Comp: -0,10%
- Ouro (jun): +0,19%, a US$ 4.817,6 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,14%, aos 98,079 pontos
- Bitcoin: +0,81% a US$ 75.813,75
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Commodities
- Petróleo: contratos futuros voltaram a cair após sinais de alívio nas tensões no Oriente Médio, com anúncio de cessar-fogo entre Israel e Líbano e possível retomada de negociações entre EUA e Irã. Apesar disso, a oferta segue pressionada devido à interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz.
O Brent/junho cai 3,05%, cotado a US$ 96,36 e o WTI/maio cede 3,56%, a US$ 91,32. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,39% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 114,11/ton.
A Baocheng Futures avalia que a queda nas chegadas de minério de ferro à China reduziu os estoques portuários, mas a expectativa é de recuperação com o aumento dos embarques de mineradoras estrangeiras.
Cenário internacional é de expectativa por negociações entre EUA e Irã
Donald Trump afirmou, durante evento em Las Vegas, que a guerra envolvendo o Irã “deve terminar em breve”. Segundo ele, uma nova rodada de negociações pode ocorrer já no próximo fim de semana, em sinal de possível avanço diplomático.
Trump também declarou que o Irã teria concordado em não desenvolver armas nucleares e em entregar aos Estados Unidos cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60% de pureza — nível próximo ao necessário para a produção de ogivas. Apesar do tom otimista, o mercado segue cauteloso diante da falta de confirmações concretas e do histórico recente de incertezas nas negociações.
Com a agenda de indicadores praticamente esvaziada, os investidores voltam suas atenções para discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) ao longo do dia. A presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, fala às 12h30, seguida pelo presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, às 13h15, e pelo diretor Christopher Waller, às 15h.
Na Europa, o destaque fica para a balança comercial da zona do euro, que apontou redução do superávit comercial para 11,5 bilhões de euros em fevereiro e queda de 6,7% nas exportações, para 232,4 bilhões de euros, enquanto as importações recuaram 2,2%, para 220,9 bilhões de euros.
Cenário nacional
No Brasil, o foco da agenda econômica recai sobre a divulgação do IGP-M de abril, pela FGV, que marcou alta de 2,64%, reforçando o avanço de 0,95% na 1ª prévia do mês.
Em paralelo, autoridades econômicas intensificam a agenda internacional: o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa das reuniões de primavera do FMI em Washington, com encontros previstos com representantes do Fed, American Express e Mastercard. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também na capital americana, concede entrevista coletiva ao longo do dia.
No campo fiscal, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado ao Congresso, já enfrenta forte desconfiança do mercado. A meta de superávit primário de 0,5% do PIB é considerada pouco ambiciosa e dependente de mecanismos de flexibilização previstos no arcabouço, como a exclusão de precatórios e parte dos gastos sociais.
Na avaliação de economistas, o esforço fiscal embutido na proposta é insuficiente para alterar de forma relevante a trajetória da dívida pública, que exigiria superávits mais robustos. O cenário se torna ainda mais sensível diante da proximidade do ciclo eleitoral de 2026, que eleva o risco de expansão de despesas e inclusão de medidas de caráter populista no Orçamento.
Embora o texto traga alguns avanços, como a previsão de acionamento de gatilhos fiscais e maior transparência na contabilização de precatórios, o conjunto ainda depende de premissas consideradas exigentes, especialmente em relação ao controle de gastos. No horizonte mais longo, as projeções para a dívida seguem sendo vistas como otimistas, reforçando a cautela dos investidores.
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Destaques do mercado corporativo
- Vale: aprovou a continuidade das negociações para otimizar concessões ferroviárias das linhas EFC e EFVM.
- CSN: confirmou avanço no processo de venda de ativos, incluindo a CSN Cimentos, com recebimento de propostas não vinculantes, mas mantém confidencialidade sobre as partes interessadas.
- Gerdau: fez oferta de R$ 150 milhões por participação de 23% da Celesc na usina Dona Francisca.
- Engie Brasil: aderiu à repactuação de UBP de hidrelétricas, com saldo de R$ 2,37 bilhões e efeitos contábeis no segundo trimestre.
- Copasa: teve autorização do TCE-MG para continuidade de potencial oferta pública de ações.
- Oncoclínicas: obteve medida cautelar na Justiça para suspender execuções por 60 dias; dívida soma cerca de R$ 3,2 bilhões.
- Banco do Brasil: emitiu US$ 500 milhões em títulos de dívida no mercado externo, com prazo de cinco anos e meio.
- Petrobras: acionistas elegeram o novo conselho de administração para mandato até 2028. Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, foi eleito presidente do colegiado.











