A Hapvida (HAPV3) perdeu cerca de 95% do valor de mercado desde 2021, em um movimento que chama a atenção para os desafios do setor de planos de saúde no Brasil. O caso da operadora foi classificado pela Squadra Investimentos — uma de suas maiores acionistas — como “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”.
No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, explica como a fusão com a NotreDame Intermédica, anunciada em 2022, tinha como objetivo gerar sinergias, mas, na prática, a integração enfrentou dificuldades operacionais.
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Confira o vídeo completo:
Fusão da Hapvida foi seguida de perda de valor
A tentativa de reduzir custos e concentrar atendimentos em estruturas próprias elevou a pressão sobre a rede e afetou a experiência dos usuários.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam aumento de reclamações, enquanto a companhia perdeu clientes em regiões relevantes, mesmo com o crescimento do mercado.
O caso vai na contramão do setor, já que em 2025 as operadoras somaram cerca de R$ 24,4 bilhões em resultado.
No entanto, mais da metade desse valor teve origem em aplicações financeiras, que alcançaram cerca de R$ 134 bilhões no período. O resultado financeiro somou R$ 14,7 bilhões.
Esse movimento é influenciado pelo ambiente de juros elevados, que aumenta a rentabilidade de ativos de renda fixa — aplicações que pagam retorno previsível ao investidor.
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O que o caso sinaliza para investidores
Para investidores, o episódio levanta questionamentos sobre estratégias baseadas em fusões e corte de custos como principal vetor de crescimento.
O conceito de sinergia, comum em processos de fusões e aquisições, depende da capacidade de integração entre operações. Quando mal executado, pode gerar efeitos contrários, como perda de clientes e aumento de custos indiretos.
O cenário também aponta para uma mudança na origem dos lucros do setor, com maior peso do resultado financeiro em relação à operação principal.
Esse contexto indica a necessidade de acompanhar não apenas indicadores financeiros, mas também métricas operacionais, como base de clientes, qualidade do serviço e sustentabilidade do modelo de negócios.











