Os papéis da Vale (VALE3) operam em forte queda de 4% nesta quarta-feira (29), após o balanço do primeiro trimestre não trazer surpresas. No período, a mineradora ampliou o lucro líquido em 22% (R$ 9,95 bilhões) na comparação anual. Em dólares, o resultado foi de US$ 1,89 bilhão, avanço de 36%.
No exterior, os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) também operam em queda desde o pré-mercado. Às 11h25, os papéis caíam 4,38%, negociados a US$ 16,17.
Segundo a companhia, o resultado trimestral foi sustentado pela combinação de maiores volumes de vendas e pela melhora nos preços das principais commodities comercializadas pela empresa.
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Em nota, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a empresa tem mantido a competitividade mesmo diante de pressões externas. “Nosso portfólio flexível nos permitiu capturar oportunidades em um ambiente de mercado robusto”, declarou.
Crescimento das vendas e preços mais altos sustentam lucro da Vale
A companhia informou que houve avanço nas vendas em todos os segmentos no primeiro trimestre. As vendas de minério de ferro cresceram 4% na comparação anual, enquanto cobre e níquel registraram altas de 11% e 15%, respectivamente.
O preço médio realizado do minério de ferro fino foi 5,5% superior ao do mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 95,8 por tonelada. A combinação entre preços mais elevados e maior volume comercializado contribuiu para o desempenho financeiro.
A receita líquida da Vale somou R$ 48,68 bilhões entre janeiro e março, o que representa crescimento de 3% frente aos R$ 47,41 bilhões registrados um ano antes. Em dólares, a receita atingiu US$ 9,25 bilhões, com alta de 14% na comparação anual.
Ebitda cresce com impacto do câmbio, mas frustra projeções
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou R$ 20,1 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 11% em relação aos R$ 18,18 bilhões contabilizados no mesmo período de 2025.
Em dólares, o Ebitda foi de US$ 3,83 bilhões, crescimento de 23%. Segundo a Vale, o resultado foi impulsionado pelos maiores preços e volumes de vendas, mas sofreu impacto parcial da valorização do real frente ao dólar.
Os números do Ebitda, no entanto, vieram abaixo do esperado, com destaque para a alta de custos. Na avaliação da XP, os resultados ficaram marginalmente abaixo do esperado, com Ebitda ajustado proforma de US$ 3,9 bilhões, 3% abaixo do consenso. Segundo a corretora o desempenho de custos foi impactado por alguns vetores negativos, responsáveis pelo Ebitda abaixo da projeção.
O custo da mina ao porto, excluindo compras de terceiros/tonelada (C1/t) de soluções de minério de ferro, aumentou 12% na base anual, impactado pela valorização do real e por efeitos de turnover, com os níveis atuais de Brent/real sugerindo o topo da faixa do guidance de 2026 de US$ 20,0-21,5/t da Vale como uma premissa de custo mais razoável.
A XP também destaca os custos unitários marginalmente mais altos em todas as linhas, como no caso de distribuição, royalties e compras de terceiros e avaliou: “Ventos contrários de custo (principalmente por fatores macro) adicionaram pressão ao desempenho financeiro da Vale, o que vemos como o ponto mais fraco dos resultados”.
Dívida menor e investimentos dentro do plano
A dívida líquida expandida encerrou o trimestre em US$ 17,79 bilhões, queda de 2% na comparação anual.
Os investimentos (Capex) totalizaram US$ 1,1 bilhão no período, em linha com o guidance da companhia para 2026, que varia entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões.
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Reparações avançam em Brumadinho e Mariana
A Vale informou que cerca de 81% dos compromissos do acordo de reparação integral de Brumadinho já foram concluídos até o primeiro trimestre, em conformidade com os prazos estabelecidos.
No caso de Mariana, o programa conduzido pela Samarco segue em andamento, com R$ 74,7 bilhões desembolsados até 31 de março deste ano.











