Localizada nas montanhas escarpadas do sul da Albânia, Gjirokastër é um exemplo raro e excepcionalmente preservado de um centro urbano otomano. Conhecida como a “Cidade de Pedra”, sua arquitetura vernacular do século XVII e sua imponente fortaleza medieval a elevaram ao status de Patrimônio da UNESCO.
Como as casas-torre de pedra moldaram a identidade da cidade?
A arquitetura de Gjirokastër é definida pelos “Kullë”, que são casas-torre defensivas construídas por famílias nobres ricas durante o domínio otomano. O primeiro andar é sempre uma fortaleza de pedra sem janelas, projetado para proteção, enquanto os andares superiores são decorados com madeira esculpida para a convivência.
Os telhados são cobertos por pesadas placas de pedra cinza ardósia, extraídas das montanhas vizinhas, criadas para suportar o peso da neve no inverno. A UNESCO destaca a casa Zekate, construída em 1811, como o exemplo mais perfeito desse estilo arquitetônico que sobreviveu aos séculos.

O que a Fortaleza Medieval revela sobre a história militar albanesa?
O Castelo de Gjirokastër, que domina a cidade do topo da colina, é um dos maiores dos Bálcãs. Construído inicialmente no século XII e ampliado por Ali Pasha no século XIX, ele possui túneis subterrâneos escuros, uma torre do relógio, e abriga até mesmo a carcaça de um avião espião americano capturado durante a Guerra Fria.
Para contextualizar a importância turística da região sul do país, apresentamos os dados cruciais do município:
- Características do Relevo: Vale do rio Drino (paisagem montanhosa).
- Patrimônio Principal: Casas-torre (Kullë) do século XVII ao XIX.
- Fama Literária: Cidade natal do escritor Ismail Kadare, que a imortalizou no livro Crônica na Pedra.
- Economia: Turismo histórico e agricultura de montanha.
Como a cidade se tornou um centro de festivais folclóricos?
A cada cinco anos, a fortaleza sedia o Festival Nacional de Folclore de Gjirokastër. O evento atrai músicos, dançarinos e artistas de todos os países de língua albanesa (incluindo Kosovo e Macedônia do Norte) para apresentar o canto isopolifônico, um estilo de canto a cappella também protegido pela UNESCO.
Para ajudar viajantes a escolherem entre as duas grandes cidades otomanas do país, elaboramos a comparação técnica abaixo:
| Destino Otomano | Gjirokastër (Cidade de Pedra) | Berat (Cidade das Mil Janelas) |
| Material Predominante | Casas de pedra ardósia escura (aspecto severo) | Casas brancas com janelas em madeira |
| Arquitetura Residencial | Casas-torre defensivas (Kullë) espalhadas | Casas empilhadas organicamente na colina |
O que atrai os visitantes ao Antigo Bazar?
O centro nervoso da cidade é o Qafa e Pazarit (O Antigo Bazar). Suas ruas estreitas de pedra calcária branca e preta, dispostas em padrões intrincados, são repletas de lojas de artesanato que vendem tapetes tecidos à mão, prataria e recordações da era comunista do ditador Enver Hoxha, que nasceu na cidade.
O bazar sofreu grandes restaurações para manter a estética do século XIX. Os cafés locais oferecem a oportunidade de provar pratos típicos como o qifqi (bolinhos de arroz assados com ervas locais).
Para planejar um roteiro histórico e econômico na Albânia, selecionamos o conteúdo do canal César Por Aí. No vídeo a seguir, o viajante mostra o que fazer em um dia por Gjirokaster, conhecida como a “cidade de pedra”, detalhando o castelo, a cultura local, os preços e as comidas tradicionais:
Por que a “Cidade de Pedra” é essencial para entender os Bálcãs?
Gjirokastër é uma cápsula do tempo arquitetônica. A cidade resistiu a guerras mundiais, ao ditador comunista que ironicamente evitou sua destruição por ser sua cidade natal, e às crises econômicas da Albânia moderna.
Para o turista de 2025, caminhar sob os telhados de pedra ardósia é absorver a resiliência do povo albanês. A cidade prova que a construção baseada em materiais locais brutos pode resultar em uma das expressões arquitetônicas mais belas e austeras da Europa Oriental.











