Dados de mercado indicam que, dos R$ 8,5 trilhões em investimentos de pessoas físicas no Brasil, mais de R$ 1 trilhão ainda está alocado na caderneta de poupança. Quando olhamos para investidores que possuem até R$ 100 mil aplicados, a fatia chega a quase 30%.
Segundo Pedro Canelas, CEO da Rico, estima-se que, apenas em 2025, os investidores que mantiveram dinheiro na poupança deixaram de ganhar entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões em retornos que seriam obtidos em aplicações de risco similar. A defasagem ocorre porque a poupança rende o equivalente a 70% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa de referência para empréstimos entre bancos e que caminha próxima à Selic.
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Em contrapartida, ativos como o Tesouro Selic e os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) de grandes instituições financeiras, garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para valores até R$ 250 mil, oferecem retornos superiores com níveis de segurança comparáveis.
Barreiras técnicas e o “congelamento” do investidor
Em entrevista publicada no Canal Valores, o CEO explicou que o diagnóstico para a permanência de recursos na poupança envolve a complexidade do vocabulário do mercado financeiro, frequentemente chamado de “sopa de letrinhas”.
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Termos como fundos imobiliários de “papel” (títulos de dívida) ou “tijolo” (imóveis físicos), além de siglas como CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e debêntures, geram uma barreira de compreensão.
Confira o podcast na íntegra:
Ao se deparar com conceitos técnicos como o Índice de Sharpe — métrica que avalia a relação entre o risco de um ativo e seu retorno adicional —, o investidor de varejo tende a interromper o processo de decisão. Esse fenômeno faz com que o poupador prefira manter o capital em um produto desatualizado, mas que ele entende como seguro e no qual acredita que não perderá o valor principal aplicado.
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Dificuldade no planejamento de objetivos
Além da barreira linguística, há uma dificuldade matemática na projeção de metas. Muitos investidores conseguem identificar um objetivo final, como a compra de um imóvel ou a aposentadoria, mas não conseguem calcular maneiras para atingir essa meta em determinado prazo.
Apesar da disciplina de poupar mensalmente ser apontada como o principal fator para o sucesso financeiro em curto prazo, para horizontes de longo prazo, a diversificação entre diferentes classes de ativos torna-se essencial para otimizar a rentabilidade e proteger o poder de compra contra a inflação.











