A Axia Energia (AXIA3 e AXIA6), antiga Eletrobras, reportou lucro líquido de R$ 2,631 bilhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 354 milhões registrado no mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (7).
O desempenho foi impulsionado pelo avanço operacional da companhia, com crescimento da receita, expansão do resultado operacional e melhora no desempenho da comercialização de energia. O resultado ajustado, que exclui efeitos não recorrentes para facilitar a comparação entre períodos, foi de R$ 3,707 bilhões, ante perda de R$ 80 milhões nos primeiros três meses de 2025.
Já o lucro regulatório ajustado, indicador acompanhado por analistas do setor elétrico por refletir critérios específicos da regulação do segmento, alcançou R$ 3,213 bilhões, quase oito vezes acima dos R$ 409 milhões reportados no primeiro trimestre do ano anterior.
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O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador que mede a geração operacional de caixa) somou R$ 7,448 bilhões no trimestre, alta de 72,5% na comparação anual. Considerando ajustes, o indicador chegou a R$ 8,54 bilhões, crescimento de 93,4%.
Pelo critério regulatório, o Ebitda ajustado atingiu R$ 8,6 bilhões, avanço de 60% sobre o mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o desempenho foi beneficiado pela elevação dos preços de energia no mercado de curto prazo, maior volume de energia não contratada e efeitos do processo de descotização.
A Receita Operacional Líquida (ROL) da Axia totalizou R$ 12,712 bilhões no trimestre, crescimento de 22,1% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
A dívida líquida ajustada foi de R$ 46,045 bilhões, recuo anual de 0,9%. A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA regulatório ajustado, ficou em 1,8 vez. O indicador ficou abaixo das 2 vezes registradas em dezembro, embora tenha subido 0,1 vez na comparação anual.
Análises divergem sobre resultado da Axia
A divulgação dos resultados da Axia Energia gerou avaliações distintas entre instituições financeiras. Na avaliação do Citi, o trimestre mostrou avanço operacional relevante, impulsionado pela estratégia de comercialização de energia, pelo aumento dos preços spot, maior exposição ao mercado livre em função do processo de descotização e pela redução do spread entre submercados.
O banco destacou que o EBITDA ajustado precisaria ser recalculado para excluir efeitos de uma nova política contábil regulatória na área de transmissão. Após esse ajuste, o EBITDA recorrente seria de R$ 8,578 bilhões, alta de 71% na comparação anual.
Outro fator apontado foi a alíquota efetiva de imposto de 17%, abaixo dos 24% projetados, que contribuiu para o lucro líquido acima das estimativas da instituição.
Em análise, o Safra avaliou os números como alinhados às expectativas operacionais. Segundo o banco, o EBITDA regulatório comparável de R$ 8,1 bilhões, alta anual de 63%, foi sustentado pelos preços spot mais elevados e por ganhos de modulação energética.
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Por outro lado, o lucro líquido veio 8% abaixo da projeção da instituição, impactado por despesas financeiras maiores que o esperado.
Já a XP considerou o resultado ligeiramente abaixo das projeções. A corretora apontou que o EBITDA ajustado de R$ 8,6 bilhões ficou 4% inferior à estimativa, principalmente em razão do lucro bruto de energia abaixo do esperado, apesar do crescimento dos volumes comercializados.
Os analistas afirmaram que não veem necessidade de revisão relevante nas estimativas, mas seguirão monitorando a evolução das margens operacionais.
Tanto a XP como o Citi mantiveram recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 63,30 e R$ 67 para as ações ordinárias (AXIA3), respectivamente.











