O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7) que Brasil e Estados Unidos criarão um grupo de trabalho para discutir tarifas comerciais e apresentar uma proposta em até 30 dias. O brasileiro disse estar otimista sobre um acordo.
A declaração foi dada após reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. Segundo Lula, os ministros da área de Indústria e Comércio dos dois países participarão das negociações. O presidente brasileiro disse que “quem estiver errado terá que ceder”.
Essa foi a primeira reunião entre Lula e Trump na Casa Branca desde o retorno do republicano à presidência dos Estados Unidos. O encontro, que durou cerca de três horas, contou com a presença de:
- Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia)
- Dario Durigan (ministro da Fazenda)
- Márcio Elias Rosa (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio)
- Mauro Vieira (ministro de Relações Exteriores)
- Wellington César (ministro de Justiça e Segurança Pública)
- J.D. Vance (vice-presidente dos EUA)
- Susie Wiles (chefe de gabinete)
- Jamieson Greer (representante comercial)
- Howard Lutnick (secretário de Comércio)
- Scott Bessent (secretário do Tesouro)
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Minerais críticos entram na pauta
Lula afirmou que o Brasil pretende ampliar parcerias internacionais para exploração de minerais críticos e terras raras. Esses materiais são usados em setores como baterias, semicondutores, carros elétricos e equipamentos de defesa.
Segundo o presidente, o Brasil não terá preferência por países específicos nas parcerias e pretende abrir espaço para empresas americanas, chinesas, japonesas, alemãs e francesas. “Não temos preferência. O que queremos é fazer parceria”, afirmou.
Lula também disse que o Brasil tratará os minerais críticos como tema de soberania nacional. Ele citou a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto voltado à regulamentação do setor nesta quarta-feira (6).
O presidente afirmou ainda que o governo pretende realizar pesquisas em todo o território nacional para identificar reservas e ampliar investimentos na cadeia produtiva, evitando que o país atue apenas como exportador de matéria-prima.
Lula e Trump debateram crime organizado e política internacional
Outro tema discutido foi o combate ao crime organizado. Lula defendeu a criação de um grupo internacional para enfrentar facções criminosas e afirmou que o problema exige cooperação entre países.
Segundo ele, o Brasil lançará na próxima semana um plano nacional voltado ao combate ao crime organizado, com foco na redução da capacidade financeira das organizações criminosas.
O presidente também afirmou que parte das armas usadas pelo crime organizado no Brasil vem dos Estados Unidos e mencionou operações de lavagem de dinheiro realizadas em território americano.
Na área internacional, Lula afirmou a Trump que acredita mais no diálogo do que em conflitos armados. Ele disse avaliar que a guerra no Irã pode causar impactos econômicos maiores do que o previsto.
O presidente brasileiro também afirmou ter discutido temas ligados à Venezuela, Cuba e à reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), defendendo novamente a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da entidade.
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Tensões na relação entre Brasil e EUA
Desde janeiro do ano passado, a relação entre os dois países foi marcada por episódios de tensão, que resultaram na imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
Além disso, autoridades brasileiras foram alvo de sanções pela Lei Magnitsky, legislação americana usada para punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. Os EUA também abriram investigações sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil.
Durante a coletiva, Lula afirmou que os Estados Unidos já foram o principal parceiro comercial do Brasil, mas perderam espaço para a China. Segundo ele, Trump foi incentivado a ampliar novamente os investimentos americanos no país.
O presidente também comentou que levou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, prevendo que o tema do Pix pudesse surgir na conversa, mas, segundo Lula, o assunto não foi abordado pelo presidente norte-americano.











