A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou em abril, com alta de 0,67%, mas os componentes mais persistentes do índice continuam pressionados e mantêm a preocupação do mercado com a trajetória dos preços e dos juros.
Com o resultado revelado nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA atingiu 4,39% no acumulado de 12 meses, a segunda elevação consecutiva para o índice que estava em 4,14% em março.
Os grupos Alimentação e Bebidas e Saúde e Cuidados Pessoais foram os principais responsáveis pela alta do índice no mês.
“O resultado de abril, embora numericamente mais baixo que março, não traz alívio estrutural. A desaceleração se deve em larga medida a fatores voláteis e pontuais, enquanto os componentes mais persistentes seguem pressionados, o que deve gerar preocupação para o Banco Central”, avalia Leonardo Costa, economista do ASA.
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Alimentos lideram pressão sobre IPCA
O grupo Alimentação e Bebidas avançou 1,34% em abril e respondeu sozinho por 0,29 ponto percentual do IPCA. A alimentação no domicílio subiu 1,64%, impulsionada principalmente pelos aumentos da cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%), cebola (11,76%), tomate (6,13%) e carnes (1,59%).
Por outro lado, alguns itens registraram queda, como café moído (-2,30%) e frango em pedaços (-2,14%).
Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a alta dos alimentos está relacionada à restrição de oferta e aos custos logísticos.
“No caso do leite, o clima mais seco reduz o pasto e aumenta a necessidade de ração, elevando os custos. Também há impacto do aumento dos combustíveis sobre o frete”, explicou.
A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,59%, com avanço tanto das refeições quanto dos lanches.
Medicamentos e higiene pressionam saúde
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 1,16% em abril, com impacto de 0,16 ponto percentual no índice geral.
Os produtos farmacêuticos avançaram 1,77%, refletindo o reajuste autorizado de até 3,81% nos medicamentos a partir de abril. Artigos de higiene pessoal subiram 1,57%, com destaque para perfumes.
Segundo o IBGE, a desaceleração do dólar em 2026 também ajudou a reduzir parte da pressão sobre insumos importados utilizados pela indústria farmacêutica.
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Gasolina segue como maior impacto individual no IPCA
Nos transportes, a inflação perdeu força e o grupo avançou apenas 0,06% em abril, após alta de 1,64% em março. O principal fator de desaceleração foi a queda de 14,45% nas passagens aéreas.
Mesmo assim, a gasolina continuou sendo o item de maior impacto individual no IPCA do mês. O combustível subiu 1,86% em abril e respondeu sozinho por 0,10 ponto percentual da inflação. Também houve alta do óleo diesel (4,46%) e do etanol (0,62%).
Mercado vê inflação mais persistente
Apesar da desaceleração mensal, economistas avaliam que o resultado ainda não representa melhora estrutural do quadro inflacionário. Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o comportamento da inflação segue desconfortável do ponto de vista estrutural.
“A inflação parece melhorar quando vista pelo retrovisor mensal, mas continua desconfortável quando observada estruturalmente. O Banco Central opera olhando risco de contaminação”, afirmou.
Na mesma linha, Leonardo Costa afirma que os núcleos de inflação continuam pressionados. Segundo ele, o núcleo de serviços — considerado mais sensível ao mercado de trabalho e mais persistente — voltou a acelerar na média móvel trimestral anualizada.
Costa também apontou pressão crescente nos bens industrializados, possivelmente ligada aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre cadeias globais de insumos e sobre o câmbio.











