Com os conflitos no Oriente Médio, o aumento do preço do petróleo tornou-se o principal motor da inflação brasileira no início de 2026 e voltou a colocar as expectativas de preços acima da meta.
Segundo relatório do Banco Daycoval, o chamado “choque de oferta” respondeu por cerca de 60% (0,82 ponto percentual) do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no primeiro trimestre.
No cenário atual, o barril do tipo Brent subiu de US$ 64 no fim de 2025 para US$ 80 no primeiro trimestre de 2026, com picos acima de US$ 100, devido ao conflito entre EUA e Irã.
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Impacto direto nos combustíveis
O petróleo afeta o índice de preços por dois canais. O primeiro é o direto, que atinge os chamados preços administrados, que incluem produtos como gasolina e o diesel.
No primeiro trimestre de 2026, o componente de oferta nos preços administrados ficou em torno de 1,5 ponto percentual. Quando o combustível sobe nas refinarias, o repasse para o consumidor final é quase imediato.
O segundo canal de transmissão é indireto e atinge o setor de serviços no médio prazo. Segundo os economistas do Daycoval, o aumento do petróleo eleva as projeções de inflação do mercado, medidas pelo Boletim Focus.
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Essa elevação alimenta a inércia inflacionária, processo em que os preços de hoje são reajustados com base na inflação passada ou esperada. Atualmente, o componente de oferta nas expectativas (2,2 pp) supera o de demanda (1,5 pp), indicando que a inflação de serviços continua pressionada por fatores externos.
Pressão da inflação sobre o Banco Central
Embora o choque de oferta seja considerado mais transitório que o de demanda, ele ocorre em um momento de incerteza fiscal e câmbio volátil. O banco aponta que o hiato do produto — indicador que mede se a economia está produzindo acima ou abaixo da sua capacidade — permanece em terreno positivo.
O diagnóstico do Daycoval sugere que o domínio do petróleo na inflação recente exige vigilância. A desancoragem das expectativas pode reduzir o espaço para o Banco Central adotar uma política monetária mais flexível, dificultando a convergência da inflação para a meta de 3%.











