O volume de vendas do varejo brasileiro cresceu 0,5% em março na comparação mensal, já descontados os efeitos sazonais, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o setor atingiu o maior nível da série histórica iniciada em 2000.
O desempenho representa o terceiro avanço consecutivo do varejo e reforça o cenário de expansão do consumo no início de 2026. Segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), Cristiano Santos, o setor mantém trajetória positiva desde outubro do ano passado, com apenas uma leve retração em dezembro de 2025.
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Combustíveis e informática puxam alta das vendas do varejo
Cinco das oito atividades pesquisadas registraram crescimento em março. O principal avanço foi observado em Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com alta de 5,7%.
Também avançaram os segmentos de Combustíveis e lubrificantes (2,9%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%).
Segundo o IBGE, a valorização do real frente ao dólar ajudou a reduzir custos de produtos importados, como celulares e televisores, favorecendo o desempenho do setor de informática.
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Por outro lado, Móveis e eletrodomésticos recuaram 0,9%, enquanto Hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 1,4%, registrando a maior queda desde junho de 2024. O segmento de Tecidos, vestuário e calçados ficou estável.
Consumo segue resiliente, mas mais seletivo
Na avaliação de analistas e executivos do setor, a composição do resultado mostra um consumidor mais seletivo em meio aos juros elevados e à inflação ainda pressionada.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o dado indica que a demanda segue mais resiliente do que o esperado para o atual nível de juros, o que reduz o espaço para flexibilização monetária no curto prazo.
Já Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport, afirma que o consumidor continua comprando, mas priorizando categorias ligadas à conveniência, saúde, bem-estar e rotina. Segundo ele, “os juros ainda têm papel no controle da inflação, mas o varejo já exige das empresas mais eficiência, planejamento de estoque e leitura precisa de demanda”.
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Primeiro trimestre do varejo reforça atividade econômica
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as vendas do comércio varejista cresceram 1,2% frente ao quarto trimestre de 2025. Foi o maior avanço trimestral desde o segundo trimestre de 2024.
No varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado alimentício, houve alta de 1,3% na mesma comparação. Frente ao primeiro trimestre do ano passado, o varejo restrito cresceu 2,4%, enquanto o varejo ampliado avançou 1,9%.
Na visão de Leonardo Costa, economista do ASA, o desempenho de março reforça a leitura de uma atividade econômica ainda aquecida no início do ano, sustentada pelo mercado de trabalho resiliente e pelo avanço da massa salarial real.











