Investidores que possuem aplicações distribuídas em diferentes corretoras costumam ter dúvidas na hora de preencher a declaração do Imposto de Renda (IR). Segundo Renan Borges Lopes, líder de planejamento patrimonial da Wiser | BTG Pactual, em coluna publicada no Valor Econômico, o principal desafio não está na quantidade de instituições financeiras utilizadas, mas na organização das informações.
De acordo com Lopes, manter investimentos em mais de uma corretora se tornou uma prática frequente em meio à busca por diversificação de produtos e serviços. Nesse cenário, a organização das informações financeiras exerce papel central na declaração do Imposto de Renda.
“Para a Receita Federal, não importa se há R$ 50 mil em ações na Corretora A e R$ 30 mil em fundos na Corretora B. O foco está no valor total dos investimentos, nos ganhos obtidos e nos impostos já pagos. A multiplicidade de corretoras é apenas um detalhe operacional que precisa ser bem gerenciado”, disse.
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Ferramentas ajudam no controle das informações
Segundo Lopes, o avanço das plataformas digitais facilitou o acompanhamento das operações financeiras e o preenchimento da declaração.
Muitas corretoras já oferecem calculadoras de IR integradas às plataformas de investimento. Além disso, existem softwares especializados que consolidam dados de diferentes instituições financeiras em um único ambiente.
Essas ferramentas permitem reunir informações sobre ações, fundos de investimento, renda fixa e demais ativos, além de auxiliar no cálculo de ganhos e impostos.
Limite de isenção exige atenção
O especialista destaca que um dos principais pontos de atenção envolve o limite de isenção para operações com ações. Atualmente, investidores pessoas físicas têm isenção de Imposto de Renda sobre ganhos em vendas de ações de até R$ 20 mil por mês.
O cálculo, porém, considera o volume total negociado em todas as corretoras. Na prática, isso significa que operações realizadas em diferentes plataformas precisam ser somadas.
Segundo Lopes, um investidor que venda R$ 12 mil em ações em uma corretora e R$ 10 mil em outra no mesmo mês ultrapassa o limite de isenção, passando a ter incidência de imposto sobre o lucro obtido.
Por isso, o acompanhamento mensal das operações é considerado essencial para evitar erros tributários.
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Planejamento tributário pode reduzir erros no IR
Além do uso de ferramentas tecnológicas, Lopes recomenda o acompanhamento de profissionais especializados, como planejadores financeiros certificados CFP® e contadores com experiência em mercado financeiro.
Segundo ele, esses profissionais ajudam não apenas no preenchimento correto da declaração, mas também no planejamento tributário do investidor.
Entre as estratégias possíveis estão a compensação de prejuízos em operações anteriores, o aproveitamento de regras de isenção e o controle mais eficiente da carga tributária.
O especialista afirma ainda que a orientação profissional pode ajudar a reduzir riscos de inconsistências e questionamentos da Receita Federal.











