O volume de serviços no Brasil caiu 1,2% em março de 2026 na comparação mensal, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado veio abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pelo Projeções Broadcast esperavam desde queda de 0,6% até alta de 0,6%, com mediana negativa de 0,1%.
Com o desempenho, o setor acumula retração de 1,7% desde outubro de 2025, mês em que atingiu o maior nível da série histórica.
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Serviços ainda acumulam alta em 12 meses
Apesar da queda mensal, o setor de serviços avançou 3% na comparação anual, registrando o 24º resultado positivo consecutivo nessa base de comparação.
O crescimento foi puxado principalmente pelo segmento de informação e comunicação, que avançou 7,9%, impulsionado por telecomunicações, consultoria em tecnologia da informação e serviços ligados à internet e hospedagem de dados.
No acumulado de 12 meses, o setor registrou alta de 2,8% até março.
Transportes lideram queda do setor
Segundo o IBGE, todas as cinco atividades pesquisadas apresentaram queda em março. O principal impacto negativo veio do setor de transportes, que recuou 1,7%.
De acordo com o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior, o resultado foi influenciado principalmente pela queda no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros.
Também registraram retração os serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%), informação e comunicação (-0,9%), outros serviços (-2,0%) e serviços prestados às famílias (-1,5%).
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“O setor de transportes foi o principal responsável pela queda observada no Brasil”, afirmou o analista do IBGE.
O índice de atividades turísticas caiu 4,0% em março frente a fevereiro, acumulando perda de 5,4% nos últimos dois meses. O resultado foi influenciado pela queda em hotéis, transporte aéreo, locação de automóveis e serviços de reserva relacionados à hospedagem.
Entre os Estados, São Paulo (-6,3%) teve a principal contribuição negativa, seguido por Rio de Janeiro (-2,4%), Bahia (-5,3%) e Pernambuco (-9,2%).
São Paulo tem maior impacto negativo
O estado de São Paulo exerceu a principal influência negativa na comparação mensal, com queda de 2,1% no volume de serviços. Segundo o IBGE, o resultado paulista foi pressionado principalmente pelas atividades jurídicas e pelos serviços financeiros auxiliares.
Também tiveram destaque negativo Mato Grosso (-5,2%), Pernambuco (-3,9%) e Mato Grosso do Sul (-6,0%). Por outro lado, Distrito Federal (10,3%) e Rio de Janeiro (1,8%) registraram os principais avanços do mês.
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Economistas reduzem projeções para o PIB após dados de serviços
Após a divulgação da PMS, economistas passaram a revisar para baixo as estimativas de crescimento da economia no primeiro trimestre. O economista Leonardo Costa, do ASA, afirmou que o resultado foi “inesperadamente negativo” e destoou de outros indicadores recentes de atividade.
Segundo ele, a projeção do ASA para o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre caiu de 1,2% para 1%. Costa afirmou que os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e os custos de transporte ajudaram a pressionar o setor.
Ainda assim, ele ponderou que é cedo para concluir que o setor entrou em trajetória contínua de desaceleração.
Alta dos combustíveis pode ter alterado consumo
O economista sênior do Inter, André Valério, também avaliou que a retração dos serviços foi mais intensa do que o esperado. Segundo ele, o aumento dos combustíveis pode ter provocado uma realocação do consumo das famílias, movimento já observado nos dados do varejo divulgados anteriormente.
Após os resultados setoriais do IBGE, o Inter passou a projetar queda de 0,2% para o IBC-Br de março. O indicador do Banco Central é considerado uma prévia do PIB.











