O setor de varejo da construção civil no Brasil movimenta aproximadamente R$ 150 bilhões por ano, caracterizando-se por uma elevada fragmentação. A Leroy Merlin, maior competidor, detém uma fatia de mercado (market share) que não ultrapassa os 6%.
Para aproveitar esse movimento, a Juntos Somos Mais, uma joint venture formada por Gerdau, Votorantim Cimentos e Tigre, decidiu digitalizar as relações comerciais entre indústrias e varejistas.
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Em entrevista ao Canal Valores, Fernando Dutra, CEO da companhia, disse que a plataforma movimentou R$ 7 bilhões em materiais em 2025, e a expectativa para o ano corrente é triplicar o valor transacionado. Confira:
Desafios de gestão no setor
A grande massa do setor é composta por pequenas lojas de bairro, muitas vezes geridas por proprietários que acumulam funções de atendimento, estoque e compras, de acordo com Dutra. Estima-se que uma loja média gerencie cerca de 7.000 SKUs (termo para identificar cada item diferente em um inventário) vindos de até 200 fornecedores distintos.
Os principais gargalos identificados para esses varejistas incluem:
- Margens financeiras reduzidas;
- Dificuldade de acesso a crédito;
- Processos de compras manuais e ineficientes;
- Desafios na sucessão familiar em empresas tradicionais.
Uso de inteligência artificial
A digitalização do setor não ocorre apenas por meio de plataformas complexas, mas também por canais diretos, como o WhatsApp, que já movimenta cerca de R$ 30 milhões por mês. Segundo dados operacionais, a inteligência artificial (IA) — que processa pedidos via áudio, documentos ou fotos — pode acelerar o processo transacional em até 10 vezes, reduzindo a margem de erro humano no fechamento de pedidos.
A tecnologia também permite desenvolver campanhas personalizadas. Por meio de algoritmos, a plataforma identifica padrões de consumo e sugere produtos específicos para cada perfil de loja, baseando-se no comportamento de compra e na localização geográfica.
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Modelo de negócio e marketplace B2B
O modelo comercial da empresa é baseado em um marketplace B2B (Business-to-Business). A plataforma oferece integração via API (Application Programming Interface) ou portais manuais para as indústrias parceiras.
Diferente do mercado de consumo final (B2C), a relação no B2B da construção é altamente pautada no crédito concedido pela indústria ao varejista e na manutenção de representantes comerciais.











