As ações da Ferrari (RACE) caíram quase 8% e tiveram a maior queda diária dos últimos sete meses nesta terça-feira (27) na Bolsa de Milão, pressionadas por fortes críticas ao design do Luce, primeiro carro totalmente elétrico da fabricante italiana.
Apresentado um dia antes, o modelo custa 550 mil euros (equivalente a cerca de US$ 640 mil ou R$ 3,2 milhões). O supercarro acelera de 0 a 96 km/h em aproximadamente 2,5 segundos. Diferente da maioria das Ferraris, o veículo possui quatro portas e cinco lugares.
Analistas do setor automotivo e influenciadores criticaram publicamente o Luce nas redes sociais, comparando-o com carros elétricos de grande escala produzidos por montadoras convencionais — perdendo a exclusividade da marca.
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Em relatório, Pierre-Olivier Essig, chefe de pesquisa da AIR Capital, afirmou que o carro parece “uma mistura entre um Honda Accord EV e um Tesla 3”. Também comentou que o mercado está “perdido na tradução” da nova estratégia da italiana, conforme mostrou reportagem do InfoMoney.
“Não parece nada com uma Ferrari. É isso que se considera ‘inovação’? Quem sabe o que Enzo Ferrari diria”, escreveu Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes da Itália, na rede social X (antigo Twitter).
Entre o público, as reações variaram entre críticas ao visual e elogios ao projeto, indo de comentários como “direto para o ferro-velho” até “uma aula de design”.
Ferrari buscou ex-chefe de design da Apple
Para desenvolver o Luce, a Ferrari deixou de seguir exclusivamente o estilo associado ao designer da marca Flavio Manzoni e trabalhou em parceria com a LoveFrom, agência fundada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple. O nome significa “luz” em italiano.
O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, afirmou em Roma que o desenvolvimento do modelo levou cerca de cinco anos.
De acordo com a companhia, o veículo possui um motor elétrico em cada roda, todos produzidos internamente. Essa estratégia busca garantir capacidade futura de manutenção e preservar o valor de revenda do modelo.
Luce relembra recepção inicial do Purosangue
A reação lembra o lançamento do Purosangue, primeiro SUV da Ferrari, que também enfrentou críticas de parte dos fãs e analistas por se afastar do conceito tradicional de supercarros da marca, conforme mostraram reportagens da revista Top Gear.
Com o tempo, porém, o modelo passou a figurar entre os principais motores de entregas globais da Ferrari. Nos resultados do primeiro trimestre de 2026, a Purosangue foi um dos principais veículos vendidos, junto com a família 12Cilindri e o SF90 XX.
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Apesar do sucesso, declarações do CEO publicadas pelo site Motor Authority e pelo Wall Street Journal indicam que o modelo deve representar no máximo cerca de 20% das entregas da montadora, como forma de preservar a exclusividade da marca e sustentar o valor de revenda dos veículos.
Mercado de elétricos pressiona montadoras de luxo
Enquanto a Ferrari anuncia sua entrada no segmento, montadoras como Lamborghini e Porsche reduziram planos relacionados à expansão de veículos elétricos diante da demanda abaixo do esperado e do aumento da concorrência de fabricantes chineses.
Inicialmente, a Ferrari havia priorizado veículos híbridos, que combinam motores a combustão e elétricos. Agora, lança seu primeiro modelo totalmente elétrico.











