O mercado de milho no Brasil entrou em uma nova fase estrutural, marcada por preços mais elevados e maior integração ao cenário global de commodities. O avanço no valor do grão tem encarecido as refeições ao redor do país ao afetar itens como carnes, leite e ovos.
A avaliação é de Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities, em novo artigo publicado no site O Antagonista. “O milho mudou de patamar. E, junto com ele, mudou também a estrutura de custos da carne, do leite, dos ovos e, no fim da cadeia, da comida que chega à mesa do brasileiro”, disse.
- Toda grande decisão precisa de estratégia. Baixe o eBook gratuito de Guto Gioielli e aprenda a investir com método.
Saca de milho por R$ 20 é passado
Segundo Gioielli, o período em que a saca de milho era negociada abaixo de R$ 20 ficou no passado por causa de mudanças profundas no agronegócio brasileiro e internacional. Atualmente, o grão opera em uma faixa entre R$ 60 e R$ 70 por saca, consolidando um novo piso de preços no mercado nacional.
O analista relembra que, em março de 2006, o Indicador do Milho Cepea/Esalq registrou a mínima histórica nominal de R$ 13,32 por saca. Corrigido pela inflação medida pelo IPCA, esse valor equivaleria hoje a cerca de R$ 39,34.
A commodity registrou o seu pico nominal (R$ 103 por saca) em 2021, durante a pandemia, mas isso não deve se repetir no curto prazo, segundo Gioielli. Ainda assim, o mercado atual opera muito acima dos níveis históricos observados nos anos 2000.
Para o analista, quem ainda projeta um retorno aos preços próximos de R$ 30 por saca está olhando para uma realidade de mercado que deixou de existir diante das mudanças estruturais do agronegócio brasileiro.
- Seu dinheiro pode render mais! Receba um plano de investimentos gratuito, criado sob medida para você. [Acesse agora!]
Etanol de milho mudou demanda no Centro-Oeste
De acordo com Gioielli, um dos principais fatores para essa mudança foi a expansão do etanol de milho no Centro-Oeste. As usinas passaram a transformar o grão em combustível na própria região produtora, reduzindo a dependência logística dos portos e criando uma nova fonte de demanda doméstica.
Na prática, isso aumentou a capacidade de absorção da chamada safrinha, segunda safra de milho cultivada no país, evitando quedas mais intensas de preços durante os períodos de maior oferta.
O avanço da produção de proteína animal também alterou a dinâmica do mercado. O milho se consolidou como insumo central para cadeias de aves, suínos e confinamento bovino, setores que ampliaram a participação do Brasil nas exportações globais de alimentos.
- Estratégia clara, decisões certeiras. Evite armadilhas e proteja seus investimentos com um método testado. Baixe agora!
Grão passou a seguir Chicago e dólar
Outro ponto citado por Guto Gioielli é a maior conexão do milho brasileiro com o mercado internacional. Segundo ele, o preço do grão passou a acompanhar mais de perto fatores como a Bolsa de Chicago e a cotação do dólar.
Isso significa que oscilações na moeda norte-americana ou nas commodities agrícolas globais têm impacto direto sobre os preços internos do milho.
Apesar disso, a sazonalidade ainda influencia o mercado. O analista explica que junho e julho seguem como períodos historicamente mais pressionados pela entrada da safrinha, enquanto o fim do ano costuma registrar preços mais elevados por causa da entressafra.











