Uma obra que normalmente leva até dois anos pode ter sua estrutura concluída em 48 horas. É isso que Mateo Salvatto, cofundador da startup argentina Grondplek, afirma ser possível com a tecnologia de impressão 3D na construção de casas em concreto, uma abordagem que já saiu dos laboratórios e começa a ganhar escala real no mundo.
Como funciona a impressão 3D aplicada à construção?
A tecnologia, conhecida tecnicamente como impressão 3D na construção, usa máquinas de grande porte que depositam concreto camada por camada, seguindo um projeto digital. Não há fôrmas, não há andaimes convencionais.
A impressora da Grondplek, fabricada pela empresa dinamarquesa COBOD, mede aproximadamente 11 por 11 metros e alcança 7 metros de altura. Ela usa cimento combinado com cerca de 2% de aditivos especiais, como plastificantes e acelerantes disponíveis no mercado local.

O que a máquina da Grondplek consegue construir?
A impressora executa o que o setor chama de “obra gris plus”: estrutura, paredes, escadas, jardineiras e até bancadas de concreto. Certas instalações podem ser incorporadas durante a própria impressão, reduzindo etapas posteriores.
Os resultados estruturais impressionam. Segundo Salvatto, as paredes têm dupla camada com câmara de ar interna, o que garante melhor isolamento térmico. As edificações são descritas como antissísmicas. Curvas e contracurvas são possíveis sem custo extra, o que seria caro e complexo na construção convencional.
O que a máquina não faz?
As instalações elétricas, hidráulicas e os acabamentos finais ainda dependem de mão de obra humana. Salvatto é claro: a tecnologia muda as tarefas mais pesadas, mas não substitui trabalhadores.
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Qual a redução de custo e tempo prometida?
Os números são o argumento mais direto a favor da tecnologia.
As principais vantagens em relação à obra tradicional são as seguintes.
- Velocidade: obra gris de uma casa de 120 m² finalizada em 48 horas, com a casa pronta em aproximadamente uma semana.
- Custo: redução estimada de até 30% em relação à construção convencional, segundo o próprio Salvatto.
- Desperdício: a impressora usa exatamente o concreto necessário para cada etapa, sem sobras.
- Escala: uma única máquina faz sentido econômico para projetos de 4.000 a 8.000 m² por ano.
A tecnologia já existe em outros lugares do mundo?
Sim, e com casos concretos. Em 2025, uma unidade do Starbucks no Texas foi construída com essa metodologia. No Japão, uma estação ferroviária foi impressa em apenas 6 horas. Nos Estados Unidos, condomínios inteiros já adotam o sistema para todas as unidades.
No Brasil, o avanço também é real. Em Nova Lima (MG), uma casa de 57 m² foi erguida em aproximadamente oito dias por uma parceria entre Cosmos 3D e Katz, com custo estimado de R$ 120 mil. Em São Simão (SP), casas sociais do assentamento Mário Covas foram entregues em março de 2025 a famílias em situação precária.

Quais são os limites atuais dessa tecnologia?
A altura máxima do modelo atual da Grondplek é de três pavimentos. Além disso, a rentabilidade exige escala: uma única máquina só justifica o investimento em projetos de médio e grande porte. O terreno precisa estar nivelado e compactado antes da instalação.
Ainda assim, Salvatto aponta que máquinas com guias horizontais já permitem imprimir cinco lotes lado a lado em sequência. A evolução tecnológica reduz rapidamente essas limitações. Para quem acompanha o setor de construção civil, essa combinação de velocidade, custo e resistência estrutural representa menos uma promessa distante e mais uma mudança de patamar já em andamento.











