Enquanto muitos investidores concentram esforços na busca pelo próximo ativo de destaque, a preservação de patrimônio está mais ligada ao rebalanceamento e ao controle de risco da carteira, segundo avaliação de Felipe Ferrari, gestor de portfólio da Wiser Asset.
Para ele, a construção da carteira por “projeto” e o uso de dados para tomar decisões superam a intuição e a simples acumulação de ativos. Ferrari defende a tese após simular três estratégias distintas de alocação entre 2012 e 2026, revelar que o investidor “sistemático” — que utiliza modelos matemáticos — é 70% mais eficiente do que aquele que apenas compra e segura seus ativos sem ajustes.
O estudo utilizou seis ativos: Ibovespa, bolsa americana (SPY), ouro (IAU), renda fixa indexada à inflação (IMA-B 5), dólar e bolsa chinesa (MCHI). Para tornar a comparação justa, todas as carteiras partiram de uma volatilidade-alvo de 8% ao ano.
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Os três perfis analisados
O estudo dividiu as estratégias em três categorias:
- O “Sortudo” (Buy & Hold): Calibrou o risco apenas no primeiro dia e nunca mais mexeu na carteira. Ao final, sua volatilidade saltou de 8% para 14,13% porque os ativos de risco cresceram e “engoliram” a proteção do CDI.
- O “Disciplinado” (Equal-Weighted): Dividiu o capital igualmente entre os ativos e realizou o rebalanceamento a cada seis meses. O rebalanceamento é o ato de vender o que subiu demais e comprar o que caiu para manter os pesos originais.
- O “Sistemático” (Otimização): Utilizou modelos matemáticos para definir os pesos dos ativos e também rebalanceou semestralmente.

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Resultados da carteira sistemática
A estratégia sistemática apresentou o melhor Índice de Sharpe (métrica que mede quanto retorno um investimento entrega para cada unidade de risco assumida), que atingiu 0,56. Os resultados mostram que este método foi o único a unir maior rentabilidade com risco controlado:
- Retorno anualizado: 14,20%
- Volatilidade realizada: 8,90%
O investidor sistemático superou os 13,87% do “sortudo” e os 12,69% do “disciplinado”. A maior diferença, porém, foi no risco: o “sortudo” terminou o período com quase o dobro da oscilação planejada, enquanto o sistemático manteve o risco próximo ao alvo de 8%.
A importância do método nas crises
Ferrari ressalta que o rebalanceamento sistemático serve para blindar as decisões da emoção e de manchetes de curto prazo. Em momentos de crise, o risco da carteira tende a subir; o método obriga o investidor a recalibrar os pesos, evitando o aumento silencioso da exposição ao risco.
O autor conclui que a disciplina de seguir um plano matemático é o que separa carteiras que apenas aproveitam um ciclo atual daquelas que sobrevivem a diversos ciclos econômicos.











