A economia dos Estados Unidos continuou crescendo em ritmo leve a moderado nas últimas semanas, mas o consumo das famílias apresentou sinais de enfraquecimento em meio à inflação elevada e ao aumento dos custos relacionados à energia. A avaliação é do Livro Bege, do Federal Reserve (Fed), divulgado nesta quarta-feira (3).
De acordo com o relatório, a atividade econômica avançou em ritmo leve a moderado em dez dos doze distritos do Fed. Apenas uma região registrou retração da atividade, enquanto outra permaneceu estável.
O documento aponta, porém, que o comportamento dos consumidores tem sido desigual entre as diferentes faixas de renda. As famílias de renda média passaram a demonstrar maior cautela nos gastos, enquanto os consumidores de renda mais baixa enfrentam dificuldades financeiras mais intensas.
Já as famílias de renda mais alta continuam menos sensíveis aos aumentos de preços, mantendo um padrão de consumo mais resiliente.
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Energia impulsiona inflação e eleva custos das empresas
O Livro Bege destaca que os custos relacionados à energia foram o principal fator de pressão inflacionária no período. Segundo o Fed, a alta foi influenciada pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os preços de combustíveis e gerou impactos indiretos em diversos setores da economia.
Entre os segmentos afetados estão transporte, embalagens, alimentos e fertilizantes. O relatório ressalta que a capacidade das empresas de repassar esses custos aos consumidores variou entre os setores, especialmente entre aquelas voltadas ao consumidor final.
Além disso, diversos distritos relataram preocupação dos consumidores com o impacto dos combustíveis sobre o orçamento doméstico, aumentando a incerteza em relação aos gastos futuros.
Empresas adotam medidas
Diante da pressão inflacionária, empresas de diferentes regiões passaram a adotar estratégias para reduzir custos e preservar a demanda.
Entre as medidas citadas estão a otimização das cadeias de suprimentos, ajustes em produtos, redução da oferta de determinados itens e, em alguns casos, a absorção temporária de parte dos custos adicionais para evitar repasses integrais aos clientes.
Indústria manufatureira mostra desempenho mais forte
Enquanto o consumo apresentou sinais de fragilidade, a atividade industrial seguiu mais aquecida. Nove dos doze distritos relataram crescimento da manufatura em ritmo de moderado a forte, enquanto apenas uma região registrou queda.
O desempenho do setor foi impulsionado principalmente pela demanda relacionada à indústria de defesa e pela expansão de projetos ligados a data centers, segundo o relatório.
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Mercado de trabalho segue estável
No mercado de trabalho, o Livro Bege descreve um cenário de baixa contratação e baixa demissão na maior parte dos distritos.
As contratações permaneceram concentradas em funções consideradas essenciais e na reposição de vagas abertas por desligamentos naturais. O setor manufatureiro foi a principal exceção, registrando aumento das admissões em diversas regiões.
O relatório também aponta que muitos trabalhadores têm evitado trocar de emprego devido às incertezas econômicas, reduzindo a mobilidade no mercado de trabalho.











