Por Wilson Rodrigues*
A recente aprovação do Projeto de Lei 2.979/2023, pelo Senado Federal, que inclui a educação financeira como tema transversal nos ensinos fundamental e médio, representa um passo importante para a modernização da educação brasileira e para a construção de uma sociedade mais preparada para os desafios.
Durante décadas, o sistema educacional concentrou seus esforços em competências fundamentais, como língua portuguesa e matemática. Essas disciplinas continuam indispensáveis. No entanto, a realidade contemporânea exige que os jovens também desenvolvam habilidades relacionadas à gestão financeira, ao planejamento de longo prazo e à compreensão do funcionamento da economia.
Saber interpretar um texto, realizar cálculos e raciocinar logicamente é essencial, mas também é fundamental compreender conceitos como orçamento, crédito, juros, investimentos, consumo consciente e formação de patrimônio. São conceitos que impactam diretamente a vida das pessoas, suas famílias e nas oportunidades profissionais.
A decisão do Senado reconhece uma necessidade cada vez mais evidente: preparar os estudantes para tomar decisões financeiras responsáveis desde cedo. Em um país que ainda convive com elevados índices de endividamento e baixa cultura de planejamento financeiro, a educação pode desempenhar um papel transformador na formação de cidadãos mais conscientes e autônomos.
Além dos benefícios individuais, a educação financeira possui um importante componente de desenvolvimento econômico. Ela contribui para a formação de profissionais mais preparados, consumidores mais conscientes e, principalmente, futuros empreendedores capazes de criar negócios sustentáveis, gerar empregos e impulsionar a competitividade do país.
Defender a cultura empreendedora significa compreender que ela não nasce apenas nas universidades ou nos ambientes corporativos. Ela começa na educação básica, quando crianças e adolescentes desenvolvem competências que estimulam a autonomia, a responsabilidade, a capacidade de planejamento e a visão de futuro.
Por isso, a inclusão da educação financeira na formação escolar deve ser vista como parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento nacional. Quanto mais cedo os jovens compreenderem a relação entre trabalho, geração de renda, investimento e construção de patrimônio, maiores serão suas condições de contribuir para uma economia mais forte e inovadora.
Outro aspecto relevante da proposta é a ampliação do conteúdo para incluir educação fiscal, previdenciária e securitária. Trata-se de uma visão abrangente, que permite aos estudantes compreender não apenas suas finanças pessoais, mas também o papel dos impostos, o funcionamento da previdência social e os mecanismos de proteção financeira disponíveis na sociedade.
As grandes nações são construídas por cidadãos preparados para enfrentar desafios, identificar oportunidades e gerar valor para suas comunidades. E essa preparação começa na escola.
O Brasil possui talento, criatividade e vocação empreendedora. O que precisamos é fortalecer a formação das novas gerações para que esses potenciais possam se transformar em inovação, produtividade e prosperidade.
A educação financeira não deve ser encarada como um tema complementar. Ao lado do português e da matemática, ela é uma competência essencial para a formação integral dos estudantes e para a construção de um país mais competitivo, mais empreendedor e mais preparado para o futuro.
*Wilson Rodrigues é diretor-geral da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo (FAC-SP) e membro do Conselho Estadual de Educação











