A ferrovia Haramain de alta velocidade faz o que parecia impossível: cruzar o deserto árabe a 300 km/h, ligando Meca a Medina em menos de duas horas e meia. Inaugurada em 2018, ela é a primeira ferrovia de alta velocidade do Oriente Médio e peça central da transformação de infraestrutura do reino.
O que é a ferrovia Haramain e por que ela importa?
A ferrovia de alta velocidade Haramain conecta as cidades sagradas do islã, Meca e Medina, passando por Jidá, pelo aeroporto internacional Rei Abdulaziz e pela Cidade Econômica do Rei Abdullah (KAEC). A linha principal cobre 449,2 km, com um ramal de 3,75 km até o terminal aéreo.
Antes da ferrovia, o percurso entre as duas cidades levava mais de cinco horas por estrada. Agora, o mesmo trajeto é feito em cerca de duas horas, com conforto, segurança e muito menos emissão de carbono por passageiro.

Quais são as características técnicas que tornam esse trem especial?
A ferrovia opera com 35 composições Talgo 350, fabricadas pela espanhola Talgo e adaptadas especialmente para o clima extremo do deserto saudita, suportando temperaturas de até 50°C e protegidas contra tempestades de areia. Cada composição tem 13 vagões e capacidade para 417 passageiros, divididos entre classe executiva e econômica.
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A velocidade máxima comercial é de 300 km/h, com a infraestrutura projetada para suportar até 350 km/h. A eletrificação usa corrente alternada de 25 kV, e a bitola é a padrão internacional de 1.435 mm.
Quais são os pontos de parada ao longo da rota?
A linha conta com cinco estações estratégicas, cada uma projetada para absorver grandes fluxos de passageiros durante o Hajj e a Umra. As estações de Meca e Medina são as mais movimentadas, especialmente nos períodos de peregrinação anual.
Os pontos principais ao longo do trajeto são:
Qual é o impacto ambiental e social dessa ferrovia?
A ferrovia Haramain representa uma mudança concreta no perfil de emissões do transporte regional. Um voo de uma hora entre Medina e Jidá emite cerca de 124 kg de CO₂ por passageiro. O trem, no mesmo trajeto, gera apenas 10 kg por passageiro, segundo dados do setor ferroviário da região.
No aspecto social, a linha tem capacidade projetada para 60 milhões de passageiros por ano, incluindo entre 3 e 4 milhões de peregrinos do Hajj e da Umra. Em 2023, a ferrovia transportou efetivamente 6,97 milhões de passageiros, com espaço crescente para expansão operacional.

Como a ferrovia lida com o calor extremo do deserto?
A Talgo desenvolveu patentes exclusivas para o projeto Haramain: blindagem contra areia abrasiva nas carroçarias e janelas, sistemas de filtragem que impedem partículas de entrar nas composições e tecnologia de rodas adaptada ao desgaste acelerado típico do ambiente desértico.
Como a ferrovia Haramain se conecta à Visão 2030 da Arábia Saudita?
A ferrovia Haramain é um dos pilares do plano de diversificação econômica do reino, a Visão 2030, que busca reduzir a dependência do petróleo ampliando infraestrutura, turismo e serviços. A linha integra a Cidade Econômica do Rei Abdullah (KAEC) ao restante do Hejaz, atraindo empresas e investidores para uma zona econômica especial no litoral do Mar Vermelho.
Em janeiro de 2022, o governo saudita anunciou planos de construir mais 8.000 km de ferrovias em todo o país. A ferrovia Haramain funciona como modelo operacional para essa expansão, provando que é possível operar trens de alta velocidade em condições climáticas extremas com segurança e regularidade.
| Trecho | Tempo de viagem | Situação |
|---|---|---|
| Meca a Medina Percurso completo da linha | Aproximadamente 2h 20min | Operacional |
| Meca a Jidá Trecho mais utilizado por viajantes locais | Aproximadamente 30 min | Operacional |
| Jidá a Medina Inclui parada em KAEC | Aproximadamente 1h 30min | Operacional |
| Aeroporto Rei Abdulaziz (KAIA) Ramal de conexão com o terminal | 3,75 km de ramal dedicado | Ramal |
| Expansão nacional Plano de 8.000 km anunciado em 2022 | Prazo não definido | Em planejamento |
Vale a pena entender o que essa ferrovia representa para o futuro?
A ferrovia Haramain não é apenas uma obra de engenharia, é uma evidência de que países com desafios climáticos extremos podem construir transporte público de alta performance. Com 60 milhões de passageiros projetados por ano e emissões 12 vezes menores que o avião no mesmo trajeto, ela estabelece um padrão difícil de ignorar.
Para quem acompanha a transformação da Arábia Saudita rumo à diversificação econômica, esse trem é o símbolo mais concreto de que a mudança já acontece a 300 km/h entre o deserto e as cidades mais sagradas do islã.











