Em dez anos de operação, a EqSeed intermediou o financiamento de dezenas de empresas pequenas e médias, classificadas como startups. Nesse período, a plataforma analisou mais de 8 mil negócios, aprovou menos de 1% deles e construiu uma base de mais de 90 mil investidores interessados em apostar em companhias ainda longe da Bolsa. Agora, quer usar essa mesma estrutura para atacar outro gargalo do mercado financeiro brasileiro: o acesso ao crédito por pequenas e médias empresas.
A aposta parte do seguinte diagnóstico: Enquanto grandes companhias conseguem captar recursos por meio de debêntures, CRIs, CRAs e outras estruturas sofisticadas, empresas que precisam levantar R$ 5 milhões ou R$ 10 milhões frequentemente acabam dependentes de linhas bancárias tradicionais. Para Igor Swinerd, CEO da EqSeed, existe um espaço pouco explorado entre o crédito corporativo dos grandes bancos e as necessidades reais das empresas em fase de expansão.
A iniciativa marca uma mudança relevante para uma companhia que nasceu focada em equity. Desde sua criação, a EqSeed se especializou em conectar investidores pessoa física a empresas privadas em crescimento, em um modelo regulado pela CVM, chamado crowdfunding, que funciona como uma espécie de “micro IPO”. De 86 captações feitas, seis operações já concluídas entregaram retorno médio anual de 43% aos investidores, com tempo médio de permanência de dois anos e sete meses. Nove empresas “ficaram pelo caminho”.
Em entrevista a Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, Swinerd detalha a evolução desse mercado no Brasil, explica por que a empresa decidiu entrar no segmento de crédito privado e defende que a próxima fronteira do mercado de capitais está justamente nas companhias que ainda são pequenas demais para a Bolsa, mas grandes demais para depender apenas do sistema bancário tradicional.
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Leia, abaixo, os principais trechos da conversa. A entrevista completa também pode ser assistida em vídeo no YouTube do Monitor do Mercado.
Monitor do Mercado: O que o investidor deve olhar pra decidir se vale a pena investir em uma startup?
Igor Swinerd: Ao longo de 10 anos, a gente construiu muita confiança com os investidores. Grande parte confia na nossa análise de porta de entrada. Menos de 1% das empresas que batem nossa porta são aceitas.
No total, já analisamos mais de 8 mil empresas, centenas por ano. Alguns investidores têm teses individuais, outros investem em todas as empresas que colocamos na plataforma. Hoje temos investidores com mais de 30 empresas via EqSeed, emulando o comportamento de um fundo.
Monitor do Mercado: Quantas empresas já saíram com retorno?
Igor Swinerd: Tivemos seis casos clássicos de saída: a empresa captou, cresceu e foi adquirida. Tempo médio de permanência dos investidores: 2 anos e 7 meses. Retorno médio anual de 43%. No secundário, tivemos casos de multiplicar o capital por 20 vezes em sete anos.
Monitor do Mercado: E quantas empresas ficaram pelo caminho?
Igor Swinerd: Nove empresas. Cada caso trouxe aprendizados. Um exemplo: uma empresa que crescia trimestre a trimestre, mas 80% da receita vinha de um único cliente. Quando o contrato acabou, a empresa praticamente quebrou de um trimestre pro outro. A gente revisou toda a metodologia de análise depois disso.
Monitor do Mercado: A perspectiva de saída é sempre de três anos?
Igor Swinerd: A gente olha para janelas curtas, mas nunca comunicamos isso ao investidor de forma rígida. Transparência é essencial. E como não somos um fundo, o investidor utiliza a EqSeed como infraestrutura para investir direto. Isso dá flexibilidade, mas também significa que o investimento pode durar 10, 15 anos.
Monitor do Mercado: O que define uma startup para vocês?
Igor Swinerd: Geralmente é uma empresa de alto crescimento. Para 90% delas, envolve tecnologia porque permite escalar receita sem aumentar custos proporcionalmente. Mas não é só software; temos empresas de economia real, indústria, produtos físicos. Exemplo: vasos autônomos que controlam a irrigação de plantas.
Monitor do Mercado: Como vocês protegem o investidor (em eventuais problemas das empresas)?
Igor Swinerd: Estruturamos os contratos via mútuo conversível. O investidor é tecnicamente um credor enquanto o mútuo não se converte em ações. Quando se converte, ele vira acionista preferencial, sem direito político. Essa estrutura protege o investidor de riscos legais que não são inerentes ao negócio.
Monitor do Mercado: E sobre crédito, vocês vão entrar nesse mercado também?
Igor Swinerd: Sim. Muitas empresas não têm perfil para equity, mas têm boa governança e geração de caixa. Nosso objetivo é oferecer crédito estruturado via notas comerciais, com rigor na análise e pagamentos periódicos, evitando operações bullet. Prazo médio: 24 a 36 meses, valores entre R$ 1 e R$ 15 milhões.
Monitor do Mercado: Como fazer esse crédito ser seguro pro investidor e viável pra empresa?
Igor Swinerd: A gente analisa garantias, usa recebíveis e cauções. Exemplo fictício: operação de R$ 1 milhão: R$ 900 mil garantidos por recebíveis e R$ 300 mil retidos como caução. A ideia é trazer a reputação e metodologia de equity pro crédito.
Monitor do Mercado: Qual é a expectativa de regulamentação?
Igor Swinerd: A CVM revisa normas para ampliar limites de captação de R$ 15 para R$ 25 milhões e possivelmente eliminar o teto de faturamento das empresas elegíveis. Isso aproxima o mercado do sistema financeiro tradicional.









