Cidades médias do interior raramente ganham título oficial por causa de uma cadeia produtiva inteira. Colatina, às margens do Rio Doce, no noroeste do Espírito Santo, ganhou: uma lei estadual reconheceu o município como capital do polo de confecções, resultado de centenas de fábricas pequenas que costuram roupa para boa parte do país.
O que exatamente a lei estadual reconheceu?
Uma indústria construída por microempresas, não por uma gigante isolada. Conforme a Secretaria de Turismo do Espírito Santo, a Lei nº 9.786 foi assinada pelo governador e publicada no Diário Oficial do Estado, tornando o município a Capital do Polo de Confecções, com cerca de 520 empresas instaladas, das quais 78% são microempresas, 19% pequenas e 3% grandes, gerando mais de 11 mil empregos e produção superior a 2 milhões de peças por mês.
Vale um dado curioso da mesma fonte, que pouca gente associa à cidade: o pôr do sol local foi classificado pela revista americana Time, na década de 1960, como um dos mais bonitos do mundo. A cidade também abriga o primeiro shopping atacadista do estado, com mais de 70 lojas voltadas a lojistas do Espírito Santo, do sul da Bahia, do leste de Minas Gerais e do norte fluminense.

Como a cidade nasceu às margens do rio?
De um entreposto fluvial no fim do século XIX. Segundo o Descubra o Espírito Santo, portal oficial de turismo do estado, o Núcleo Colonial Senador Antônio Prado surgiu em 1888 e deu origem a diversos povoados, entre eles o Barracão de Santa Maria, ponto estratégico de comunicação fluvial no Rio Doce, onde começaram a ser erguidas as primeiras casas, no atual bairro de Colatina Velha.
O nome tem origem doméstica e data precisa. Em 1899, o povoado passou a se chamar Vila de Colatina, homenagem a dona Colatina, esposa do então presidente do Estado, Muniz Freire. A chegada da ferrovia, no início do século XX, e a construção da primeira ponte sobre o rio, em 1928, foram os marcos que consolidaram o crescimento, impulsionado então pela lavoura cafeeira.

O que ver na cidade além das fábricas
O município combina orla urbana, interior montanhoso e uma cultura formada por descendentes de africanos, indígenas e imigrantes europeus, sobretudo italianos. Confira abaixo o que estrutura a visita:
- Avenida Beira Rio: orla urbana onde acontece o famoso pôr do sol sobre as águas do Rio Doce.
- Colatina Velha: bairro onde a cidade começou, ligado ao antigo entreposto fluvial.
- Ponte sobre o Rio Doce: marco de 1928 que conectou as duas margens e mudou a economia local.
- Turismo rural: propriedades agrícolas, trilhas e paisagens de montanha no interior do município.
- Compras de confecção: lojas e atacadistas do polo têxtil, principal motivo de viagem de muitos visitantes.
- Gastronomia local: pratos e festas tradicionais que refletem a mistura cultural da população.
O vídeo do canal Cristiane Siqueira, com mais de 7 mil visualizações, apresenta os 10 pontos turísticos mais visitados da cidade de Colatina (ES), como a Catedral do Sagrado Coração de Jesus, o Cristo Redentor e a ponte Florentino Avidos.
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Como é o clima de Colatina ao longo do ano
A cidade é conhecida no estado pelo calor, resultado da baixa altitude e do vale fechado do Rio Doce, com verões especialmente quentes. Veja abaixo o comportamento típico do clima na cidade ao longo do ano:
Valores aproximados com base no Climatempo. As condições variam a cada ano por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
Conheça a cidade que veste boa parte do Sudeste
Colatina é um caso raro de município do interior que transformou pequenas oficinas familiares em uma cadeia produtiva com reconhecimento em lei estadual, sem depender de uma única grande indústria para sustentar o emprego local.
Você precisa passar um fim de tarde na Avenida Beira Rio, ver o sol cair atrás do Rio Doce e entender por que essa cidade capixaba ficou conhecida ao mesmo tempo pelo calor e pela roupa que produz.











