O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, determinou a criação de uma Superintendência de Sustentabilidade na autarquia após a polêmica decisão que encerrou a obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade IFRS S1 e S2, revogada em 29 de maio.
A criação foi revelada por Lobo nesta quarta-feira (10) durante o evento Fintouch 2026, promovido pela ABFintechs, em São Paulo. O movimento vai ao encontro da cobrança feita pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que, no último fim de semana, defendeu a retomada da norma.
O fim da obrigatoriedade dos relatórios IFRS S1 e S2 ocorreu pouco antes de a regra entrar em vigor e foi aprovado às vésperas da posse de Lobo na CVM, no início de junho. Ao Broadcast, o executivo informou que o tema será debatido com o mercado e governo.
A decisão tem um efeito duplo e, apesar de agradar aos “trogloditas climáticos”, aumenta a chance de criar novos problemas com empresas que já haviam realizado investimentos e adaptações para atender às novas exigências, como lembrou Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, em artigo publicado após o anúncio.
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Mudança em superintendências na CVM
Enquanto cria uma nova superintendência no órgão que regula o mercado de capitais, Otto Lobo promoveu a primeira mudança estrutural nos cargos da comissão nesta segunda-feira (8), ao demitir sete superintendentes. Foram exonerados:
- Florisvaldo Justino Machado Gonçalves (Superintendente-Geral)
- Bruno Barbosa de Luna (chefe da área de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade)
- Daniel Valadão de Sousa Corgozinho (Superintendência Seccional de Desenvolvimento e Modernização Institucional)
- Cíntia de Miranda Moura (Superintendência Administrativo-Financeira)
- Geraldo Pinto de Godoy Junior (Superintendência de Desenvolvimento de Inteligência)
- Vera Lucia Simões Alves Pereira de Souza (Superintendência de Planejamento e Inovação)
- Carlos Cesar Valentim Alves (Superintendência de Tecnologia da Informação)
- Andréa Araujo Alves de Souza (Gestão de Pessoas)
Como funcionam os relatórios IFRS S1 e S2
As normas IFRS S1 e IFRS S2, emitidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), estabelecem um padrão global para a divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade e aos riscos climáticos pelas empresas.
A IFRS S1 define os requisitos gerais para que as organizações reportem riscos e oportunidades de sustentabilidade capazes de afetar seu desempenho financeiro, sua estratégia e sua geração de valor no curto, médio e longo prazo.
Já a IFRS S2 é voltada especificamente para questões climáticas e exige a divulgação de informações sobre governança, estratégia, gestão de riscos, metas e métricas relacionadas às mudanças climáticas, incluindo emissões de gases de efeito estufa.
No Brasil, Vale e Lojas Renner já divulgam informações seguindo esses padrões.











